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As reações da classe artística ao fim do Ministério da Cultura

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ARTISTAS
Fotomontagem/Reprodução/Instagram
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Uma das principais medidas de Michel Temer como presidente interino foi a extinção do Ministério da Cultura e mais sete ministérios.

Em seu projeto de corte, o MinC se uniu ao Ministério da Educação, formando assim o Ministério da Educação e Cultura. O então deputado Mendonça Bezerra Filho (DEM) foi quem assumiu a pasta.

Antes de um pronunciamento do novo ministro, a classe artística se manifestou nas redes sociais, com análises positivas, neutras e negativas à medida do presidente em exercício.

O ator Wagner Moura afirmou, por exemplo, que a extinção do MinC é só a primeira “demonstração de obscurantismo e ignorância” dada pelo governo provisório, a que ele se refere como “ilegítimo”.

Já o músico Lobão, comemorou a extinção da pasta. “Uma maravilha! O MinC sempre foi uma excrescência!”, declarou à imprensa.

A seguir, você acompanha os argumentos de algumas personalidades da classe artística brasileira. Elas se pronunciaram a respeito não só da fusão dos ministérios, mas também sobre o impeachment de Dilma Rousseff e sobre as primeiras ações do governo interino de Michel Temer.

Caetano Veloso

caetano veloso

"Parece que há quem queira festejar. Eu, neste primeiro momento do governo Michel Temer, só tenho mesmo é uma grande queixa a fazer: a extinção do MinC é ato retrógrado. Depois de já haver, oportunisticamente, desistido de diminuir o número de ministérios, Temer, premido pela má repercussão da notícia, voltou a fazer o que a maioria dos brasileiros, acertadamente, quer: enxugar a máquina administrativa, na crença de que, assim, faz economia e livra-se do toma-lá-dá-cá. Na verdade, o peso econômico é pífio e as escolhas dos novos ministros não apontam para um critério técnico e meritocrático. Seria uma beleza se um presidente peemedebista nos livrasse do vício da distribuição “política” de cargos. Mas nossa oficialidade não vive de belezas. No entanto, reduzir o número de ministérios é bom de qualquer jeito. É bom simbolicamente, formalmente. Mas o desfazimento do MinC é negativo. Só Collor o tinha tentado antes, com tétricos resultados."

Leia aqui o texto completo publicado pelo artista em sua coluna no jornal O Globo.

Camila Pitanga (atriz)

camila pitanga

"Ninguém me convence que colocar uma pessoa do DEM para assumir um ministério híbrido em cultura e educação foi para valorizar qualquer dos dois fundamentais alicerces de desenvolvimento nacional e preservação, valorização, da nossa história."

Leia aqui o texto na íntegra pulicado pela atriz em seu Facebook.

Wagner Moura (ator)

wagner moura

“A extinção do Minc é só a primeira demonstração de obscurantismo e ignorância dada por esse Governo ilegítimo. O pior ainda está por vir. Vem aí a pacoteira de desmonte de leis trabalhistas, a começar pela mudança de nossa definição de trabalho escravo, para a alegria do sorridente pato da FIESP, que pagou a conta do golpe.

Começaram transformando a Secretaria de Direitos Humanos num puxadinho do Ministério da Justiça. Igualdade Racial e Secretaria da Mulher também: tudo será comandado pelo cara que no Governo Alckmin mandou descer a porrada nos estudantes que ocuparam as escolas e nos manifestantes de 2013. Sob sua gestão, a PM de São Paulo matou 61% a mais. Sabe tudo de direitos humanos o ex-advogado de Eduardo Cunha, o senhor Alexandre de Moraes. Mas claro, a faxina não estaria completa se não acabassem com o Ministério da Cultura, que segundo o genial entendimento dos golpistas, era um covil de artistas comunistas pagos pelo PT para dar opiniões políticas a seu favor (?!!!).”

Leia aqui o texto na íntegra.

Leandra Leal (atriz)

leandra leal

“Quando alguém acusa um artista de se aproveitar da Lei Rouanet revela um desconhecimento atroz de toda a cadeia produtiva cultural e de todas as funções do Minc, reduzindo o seu papel à sua área de maior visibilidade.

Quando te identificam como brasileiro, não te definem como sendo do país do Pré-sal, do agronegócio. Talvez te identifiquem como sendo do país do futebol, do samba, e isso ainda é muito longe de dar conta de toda a diversidade cultural brasileira. Ou seja, existe ainda um longo caminho pela valorização da nossa diversidade e fortalecimento da nossa identidade cultural a ser percorrido. O governo, qualquer que seja ele, tem o papel crucial de proteger a nossa memória e democratizar a cultura. Sem um ministério, esse caminho ficará impraticável.”

Leia aqui o texto na íntegra publicado pela atriz em seu Facebook.

Anna Muylaert (cineasta)

anna muylaert

"Em primeiro lugar, estou em estado de choque com tudo o que está acontecendo. O afastamento (da Dilma) é de 180 dias, o Michel Temer é um presidente interino. Acho ousado ele estar com essas transformações ministeriais todas prontas. No mínimo, deveria deixar a cadeira esfriar. Agora, as consequências dessa fusão depende de como o ministro vai pensar. Uma avaliação, neste momento, é algo prematuro. Porém, Educação e Cultura são coisas tão diferentes que, a princípio, me parece um retrocesso. Educação lida com formação, e Cultura tem relação com o povo, cultura mesmo. Olho com maus olhos."

(Depoimento ao Estadão)

Milton Hatoum (escritor)

milton hatoum

"O fim do MinC e do Ministério da Ciência e Tecnologia e a nomeação de políticos irrelevantes à frente desses e de outros ministérios não me surpreendem. Cultura, educação e pesquisa científica foram rebaixados. A pantomima continua. Numa crônica de 1949, Rubem Braga escreveu: 'Nossa vida política é, em seu jogo diário, de um nível mental espantosamente medíocre. Mental... e moral. Há uma cansativa tristeza, um tédio infinito nesse joguinho miúdo de combinação através das quais se resolve o destino da pátria'."

(Depoimento ao Estadão)

Fernando Meirelles (cineasta)

fernando meirelles

"Nestes tempos rachados, antes preciso dizer que não votei no Temer e dificilmente votarei num candidato do PMDB num futuro próximo. Sei que a classe ligada a cultura tende a ser contra a junção dos ministérios e entendo as razões, mas discordo da tese que educação e cultura sejam áreas distintas. Pelo contrário, acho que cultura e ciência deveriam ser, se não a base, os eixos da educação. Talvez esportes poderia ser o outro eixo do tripé. Alunos que leem, que assistem filmes, que desenham, escrevem poemas ou tocam um instrumento serão cidadãos melhores dos que tiram nota alta em matemática. Acredito."

(Depoimento ao Zero Hora)

Malvino Salvador (ator)

malvino salvador

"Tenho visto várias preocupações em relação ao fim do Ministério da Cultura, à composição dos ministérios pelo governo, etc. Não tiro a razão. Mas, vamos analisar... Entendo a importância do Ministério da Cultura. Que lutas foram travadas em seu seio e trouxeram benefícios para os artistas, como por exemplo, a garantia dos direitos autorais na música. Ao mesmo tempo enxergo que mais vale a participação de uma classe junto aos órgãos competentes do que especificamente haver um ministério exclusivo para atender às demandas.

A atuação dos artistas deve ser enfática e organizada. Se estiverem unidos, terão força suficiente para participar do debate nas decisões e, assim, garantir a continuidade das conquistas e promover melhorias. Ressalto que o Ministério da Cultura detinha uma das menores participações em verba. Concomitantemente, na sociedade, havia praticamente um consenso de que existia um número exorbitante de ministérios. Hoje, berra-se pedindo o oposto."

Leia aqui o texto na íntegra publicado pelo ator em seu Instagram.

Lobão (músico)

lobão

"Uma maravilha! O MinC sempre foi uma excrescência! Muito feliz pela fusão e pelo nome de Mendonça Filho no MEC!"

(Depoimento ao Estadão)

Roger Moreira – (guitarrista e vocalista do Ultraje a Rigor)

roger ultraje

"Pra mim, nunca teve diferença. Nunca dependi do governo para tocar ou me interessar por cultura. O povo tem muito essa coisa de o governo precisar fazer tudo. Eu sou a favor de um Estado mínimo, não tem por que a cultura ser dessa forma. A pessoa tem que ter um trabalho competitivo, de qualidade. Quanto à fusão com o Ministério de Educação, tá certo, cultura e educação são a mesma coisa.”

(Depoimento ao Estadão)

Marcelo Madureira (humorista)

marcelo madureira

“Na minha opinião, o Ministério da Cultura se preocupa mais com os artistas (sempre os mesmos) do que com a Cultura. A Cultura de um povo não é propriedade privada da classe artística.

Quanto menos Estado melhor. Menos aparelho de Estado significa mais eficiência e eficácia na aplicação de políticas públicas.

Acredito que as atividades culturais que realmente necessitam de apoio do Estado – vale dizer, do dinheiro público – são aquelas que comprovadamente se mostram incapazes de se autossustentar: as orquestras sinfônicas, os museus, as manifestações folclóricas, o artesanato…

E quem é que no Ministério da Cultura vai dizer qual projeto e quem deve ser beneficiado por dinheiro público? Faz sentido que o Estado subsidie a árvore de Natal do Bradesco ou o Circo de Soleil? Poxa, o Circo Garcia, que eu saiba, percorre o Brasil de norte a sul sem Lei Rouanet."

Leia aquio texto na ínetgra publicado pelo humorista em seu blog

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