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Dilma Rousseff assume 'atritos' com Eduardo Cunha desde a reeleição: 'Ele age nas trevas'

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Dilma Rousseff voltou a falar sobre o processo de impeachment aberto na Câmara dos Deputados e acatado pelo Senado Federal como um "golpe".

Dilma criticou o governo interino de seu vice, Michel Temer, e citou os "atritos" com Eduardo Cunha, o presidente afastado da Câmara.

Para a presidente, Cunha "age nas trevas":

Esse golpe tem um líder. O líder é o presidente da Câmara, que foi agora afastado. Um pouco atrasado, mas antes tarde do que nunca, como eu disse. Ele representa um setor conservador, extremamente conservador...

Mas foi seu aliado muito tempo... (interrompe o jornalista)

Ele era meu aliado porque era do partido de centro, o qual desde 1999 constrói a maioria com os governos. Ele não é de um partido ideológico. Ele, inexoravelmente, era, entre aspas, meu aliado. Nós começamos a ter atrito desde o primeiro dia do meu segundo governo. Ao longo do primeiro governo, tivemos atritos sistemáticos com ele. Essa é uma questão muito importante de ser entendida. Ele age nas trevas.

A fala foi dada ao The Intercept, do jornalista americano Glenn Greenwald, este responsável pela publicação, em 2013, do conteúdo dos vazamentos feitos pelo ex-consultor da Agência Americana de Segurança (NSA, em inglês), Edward Snowden, que mostraram um amplo esquema de espionagem de autoridades mundiais.

Greenwald quis ouvir os comentários de Dilma sobre o ministério anunciado por Temer, que não incluiu mulheres ou negros. Para ela, as escolhas mostram um "descuido com o país que você está governando":

O que está me parecendo é que esse governo interino e ilegítimo será um bastante conservador. Em todos seus aspectos. Um deles é o fato de que é um governo de homens brancos, sem negros, num País que o último Censo de 2010, tem uma declaração importante: mais de 50% se declarou de origem afro-descendente.

Dilma também considerou "estranha" a suspensão das investigações contra o presidente do PSDB, Aécio Neves, que estava nas mãos de Gilmar Mendes:

"Suspensão é estranha. Pelo o que eu saiba, nenhuma ação teria sido suspensa até então".

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