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‘Mulheres não querem se tratadas como fetiche decorativo', diz Dilma sobre ministério de Temer

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DILMA E JUCA
Reprodução/Facebook
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Em bate-papo com internautas, a presidente afastada Dilma Rousseff criticou a composição da Esplanada do presidente em exercício Michel Temer, que não tem nenhuma mulher no comando de ministérios. Ao lado do antigo ministro da Cultura, Juca Ferreira, Dilma falou em mulheres tratadas como “fetiche decorativo”.

“Acredito que as mulheres não querem ser tratadas como um fetiche decorativo. Ao contrário do que alguns pensam, as mulheres têm apurado senso crítico e, por isso, são muito sensíveis a todas as tentativas de uso indevido da sua condição feminina.”

A presidente afastada destacou que as mulheres brasileiras são trabalhadoras, profissionais dedicadas, lutam pelo seu espaço e têm plena consciência de seus direitos. "Tenho certeza que a razão das recusas está na qualidade da consciência de gênero que nós adquirimos durante todos esses anos de luta contra o preconceito.”

O governo do presidente Temer é o primeiro desde o governo Ernesto Geisel (1974-1979) a não ter mulheres no primeiro escalão.

Fusão do ministério

Sobre a fusão do Ministério da Cultura com o da Educação, a petista destacou que o status de ministério é "importante para a construção da nacionalidade brasileira que tem de estar refletida na hierarquia do Estado brasileiro”.

"É bom lembrar que a criação do Minc foi uma das primeiras medidas depois da conquista das eleições diretas para a Presidência da República. Isso não foi uma coincidência.”

Para ela, a extinção do ministério significa que o governo quer voltar ao passado autoritário. "Uma secretaria nacional de Cultura não tem a capacidade de atender às demandas e necessidades culturais da população”, pontuou.

Segundo ela, o orçamento do Ministério da Cultura é irrisório em termos absolutos e se a gente compara com o Orçamento Geral da União, menos de 1%.

"Um País das dimensões do Brasil não pode ter sua economia dependendo da exportação de commodities agrícolas e minerais. É preciso desenvolver economias de grande valor agregado, como é o caso das economias culturais, criativas ou simbólicas. Com o apoio do Estado brasileiro, através do governo federal, estamos transformando a economia do cinema e do audiovisual em superavitária. O golpe em marcha ameaça o próximo passo desse processo, que é transformar a economia da música do Brasil no próximo setor a se tornar superavitário. Portanto, essa propalada economia com o corte do Ministério da Cultura é pura demagogia”, defendeu.

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