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Jaloo fala sobre timidez e identidade de gênero: 'Gosto de usar essas contradições a meu favor'

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Tímido, esquisito e freak.

Esses são alguns adjetivos que Jaloo usa para se definir.

Nome em ascensão na cena musical brasileira, o paraense de 28 anos é uma figura com características que muitos consideram prejudiciais para alguém que está começando a trajetória artística.

Ele sabe disso e faz questão de enumerar os pontos: seu visual não é convencional; seu lugar de origem (Castanhal, no interior do Pará) é desconhecido pela maioria dos brasileiros; seu conhecimento musical é autodidata e sua prática do canto é sem vocação – teve que ser aprendida no palco, na marra.

Mas para Jaloo, essas questões não são problemas. Longe disso: “Gosto dessas contradições e de usar elas a meu favor”, afirma.

Obcecado por softwares de música desde o final da adolescência, o paraense batizado Jaime Melo ganhou destaque na internet há seis anos, quando começou a fazer, por conta própria, covers, remixes e mashups de hits de diferentes nomes da música nacional e internacional: de Amy Winehouse a Gal Costa, passando por Grace Jones, Donna Summer e MIA.

Seu primeiro álbum autoral, #1, foi lançado no final do ano passado e apresenta o que ele chama de sci-fi brega - uma mistura de música eletrônica, tecnobrega e ritmos latinos. As letras falam sobre vivências na cidade natal e desilusões amorosas, numa mistura nada convencional de regionalismo e modernidade.

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Dentro ou fora do palco, sua aparência chama a atenção. O corte de cabelo incomum e os traços indígenas tornam o artista alvo de olhares curiosos - e também incomodados - no dia a dia em São Paulo.

“Se eu cortasse o meu cabelo convencionalmente, poderia estar andando muito mais tranquilo na rua”, admite. Mas ele faz questão de manter sua identidade, algo que considera como um filtro de convivência. “Se as pessoas entranham alguém por causa do corte de cabelo dela, não são pessoas com quem eu quero conviver.”

No palco, o nível de incômodo com a sua figura fica um tom mais alto. Jaloo já circulou por festivais dentro e fora do Brasil e recorda que em diferentes ocasiões sofreu experiências de preconceito por conta de seu visual.

Seu figurino explora peças ditas femininas, como “shortinho”, “top” e “calça de cintura alta”. Ao aproximar-se da imagem de uma mulher, ele conta que geralmente é subestimado pelas equipes técnicas. “Parece que a figura da mulher não tem respeito. É sempre uma coisa inferior, que precisa ser duvidada”, diz.

Como forma de resistência a essas reações, ele decidiu ter apenas mulheres na banda que o acompanha. “Eu quis jogar esse desafio de só ter musicistas comigo exatamente para questionar esse tipo de preconceito”, revela.

E, ao que tudo indica, Jaloo não pretende parar esse trânsito entre o feminino e o masculino, muito menos deixar de questionar o tratamento dado às mulheres no universo da música.

“Eu gosto de ter essa missão de, por onde ir passando, fazer as pessoas se questionarem sobre o quanto elas estão erradas e preconceituosas.”

Assista à entrevista completa:


Jaloo é um dos destaques da Virada Cultural, que ocorre neste sábado (21) e domingo (22) em São Paulo:

SERVIÇO:

Sábado, às 21h - Show no palco Beneficência Portuguesa.

Sábado (madrugada para domingo), às 0h30 - Participação no show de Thiago Pethit (Sesc Pinheiros).

Domingo, às 3h30 - Trio elétrico (Av. Rio Branco e Ipiranga); show com Mocidade Alegre, Acadêmicos do Tucuruvi e Festa Mel.

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