Huffpost Brazil

Na Fiesp, acampamento liberado. Na rua de Temer, ação da PM. Por que tanta diferença?

Publicado: Atualizado:
Imprimir

pm temer

Ocupar os espaços públicos não é novo nem é um fenômeno nascido no Brasil. É assim na América Latina, no Occupy Wall Street, nos Estados Unidos, ou na Ucrânia, e em praticamente todos os países europeus. Foi assim também que nasceu a Primavera Árabe: nas ruas.

Acontece que por aqui o tratamento dado aos movimentos não parece ser o mesmo. Ontem, a Polícia Militar expulsou os manifestantes que tentavam acampar próximo à caso do presidente em exercício Michel Temer, no Alto de Pinheiros, região nobre de São Paulo.

Relata o Estado de S. Paulo sobre o episódio deste domingo:

A corporação utilizou jatos de água e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o grupo de cerca de 150 pessoas liderado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST).

A Folha de S. Paulo dá maiores detalhes:

Por volta das 23h45, pouco mais de uma hora após ordenarem a saída dos manifestantes, os policiais militares começaram a dispersar o acampamento com bombas de efeito moral, bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água.

A fotógrafa da Folha Marlene Bergamo foi atingida pelo jato d'água da PM e por um estilhaço de bomba de efeito moral na perna.

A repressão aconteceu após cerca de 5 mil manifestantes de movimentos sociais, segundo a PM, e 30 mil, segundo os organizadores, tentarem levantar um acampamento.


Segundo o MTST, que participou do ato iniciado no Largo da Batata, a ação da polícia foi desproporcional ao protesto, que estava pacífico.

A PM não se manifestou oficialmente sobre o ocorrido.

água pm

Vale lembrar, no entanto, as mais de 40 horas em que a Avenida Paulista ficou interditada em março desta ano, desta vez em protesto em favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O uso da força só veio por conta de uma manifestação pró-governo federal que estava agendada para o mesmo dia. Com medo de confronto, a Paulista acabou liberada.

Segue um trecho da matéria do HuffPost Brasil daquele 18 de março:

Os jatos de água dos ‘caveirões’ da Polícia Militar de São Paulo, que custaram R$ 77 milhões aos cofres públicos, foram usados pela primeira vez na manhã desta sexta-feira (18) para liberar o trânsito da Avenida Paulista, passadas 40 horas de um bloqueio protagonizado por manifestantes favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

Acontece que mesmo após a aprovação da abertura do processo de impeachment e do afastamento de Dilma ser confirmado, os acampamentos segue sem nenhum problema na Paulista.

Já são meses de ocupação, como lembra o G1 em matéria do dia 14 de maio:

Manifestantes a favor do impeachment da agora presidente afastada Dilma Rousseff (PT) vão permanecer acampados perto da sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista, em São Paulo. Neste sábado (14), o acampamento completou 60 dias. Segundo seus organizadores, o objetivo agora é a saída do presidente em exercício Michel Temer (PMDB).

E segue o G1:

O acampamento é considerado pacífico e sem ligação com partidos, segundo um dos organizadores, o russo naturalizado brasileiro Alessandro Gouveia de Castro, de 29 anos. "Procuramos fazer uma vigília pela votação do impeachment da Dilma no Senado. Esperamos que ela saía dentro de 180 dias. Somos contra a corrupção e apartidários."

Castro afirmou que os acampados têm posicionamentos políticos diferentes e isso é harmônico no local. "Temos pessoas de diversas visões, tanto de extrema esquerda como de extrema direita”, disse. “Não temos um posicionamento político único, pois cada um tem uma cabeça e pensa diferente, mas todos nós pensamos que o nosso partido é o Brasil."

O tratamento dispensado aos grupos, até o momento, é bem diferente. Ainda que um esteja alojado na Avenida Paulista, um dos principais corredores da cidade, e outro esteja numa pacata rua da zona oeste paulista.

As respostas ainda não apareceram.

LEIA TAMBÉM:

- Em áudio, ministro de Temer fala em barrar investigações da Lava Jato

- Pessoas 'próximas' de Lula estão na mira de nova operação da Polícia Federal

- Devolve! Ação popular pede suspensão de passaporte diplomático de pastor enrolado na Lava Jato

Também no HuffPost Brasil

Close
35 mil pessoas ocupam a Av. Paulista para protestar contra governo Temer
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção