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Suspeito de tentar barrar a Lava Jato, Jucá tem cargos no governo desde 1985

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ROMERO JUC
Antonio Cruz / Agência Brasil
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Suspeito de tentar barrar as investigações da Lava Jato, o ministro do Planejamento afastado, Romero Jucá está presente nos governos federais desde 1985. Além de investigado no esquema de corrupção na Petrobras, o peemedebista também é alvo da operação Zelotes, que investiga um esquema de medidas provisórias.

Após divulgação de gravação em que Jucá fala em pacto para barrar a Lava Jato, o peemedebista decidiu nesta segunda-feira se afastar temporariamente do ministério.

No Supremo Tribunal Federal (STF), o senador licenciado responde a pelo menos quatro inquéritos. Na Lava Jato, um inquérito apura se ele cometeu crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Em delação, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que negociou com Jucá e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), apoio à sua permanência no cargo em troca de propina.

Na última semana, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo a inclusão de Jucá em um inquérito que investiga o suposto pagamento de propina na construção da usina Belo Monte. O pedido foi baseado na delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS).

No âmbito da Zelotes, a investigção apura indícios de que um grupo de lobistas pagou R$ 15 milhões em propina a Jucá, em troca de favorecimento na tramitação de medidas provisórias de interesse do setor automotivo.

Em outro inquérito em que é alvo, aberto em 2010, o empresário Geraldo Magela Fernandes da Rocha, declarou à Polícia Federal, em inquérito ter atuado como laranja para o peemedebista para abrir uma empresa que tinha por objetivo a gestão da TV Caburaí, de Boa Vista (RR), de acordo com a Folha de São Paulo.

Jucá nega, em todos os casos, envolvimento nos esquemas investigados.

Trajetória

Nascido no Recife (PE) Jucá iniciou a carreira política no estado de origem, onde cursou Economia, e consolidou sua atuação em Roraima, onde foi governador entre 1988 e 1991.

Em 1985, primeiro ano do governo de Sarney, Jucá presidiu a Fundação Projeto Rondon e foi secretário executivo da Comissão Interministerial de Educação e Desenvolvimento Regional.

No ano seguinte, o peemedebista passou para o comando da Funai. Foi então nomeado por Sarney e aprovado pelo Senado, em 1988, para ser governador do então território de Roraima. Em 1990, perdeu as eleições do estado para Ottomar Pinto. Na época, Jucá era filiado ao PMDB.

O Tribunal Regional Federal da 1ª região determinou o ressarcimento aos cofres públicos de quantias irregularmente acrescidas a salários de funcionários da FUNAI, durante a gestão de Jucá.

Em 1992, o pernambucano assumiu a direção de Abastecimento da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e secretário nacional de Habitação do Governo Federal.

Foi eleito senador pela primeira vez em 1994, pelo PPR. No ano seguinte ingressou no PSDB e ocupou a vice-liderança do governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Reelegeu-se senador em 2002 e no ano seguinte, filiou-se ao PMDB, quando passou a presidir o diretório estadual do partido em Roraima. De 2002 a 2005, foi vice-líder do partido no Senado.

Entre março e julho de 2005, foi ministro da Previdência do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, mas foi afastado do cargo por suspeita de corrupção, com empréstimos bancários irregulares.

Em 2006, o senador foi escolhido líder do governo Lula, cargo que ocupou também na gestão da presidente Dilma Rousseff.

Impeachment

Jucá foi um dos principais articuladores da reunião em que o PMDB decidiu pelo rompimento com o governo petista, em março. No mês seguinte, assumiu a Presidência da legenda em uma articulação para manter Temer no comando da sigla. Na época, peemedebistas próximos a Renan Calheiros articulavam uma outra candidatura ao cargo.

Já em 2014, durante a campanha presidencial, o peemedebista declarou voto para Aécio Neves (PSDB), opositor da chapa Dilma e Temer. Em discursos no plenário do Senado, Jucá disse que o governo da petista “fez tudo da pior forma possível”.

No governo Temer, Jucá ficou tanto com a função de participar da elaboração de poíticas econômicas quanto de diálogo com os parlamentares para emplacar medidas no Congresso.

(Com informações do Estadão Conteúdo)

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