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Partidos pressionam pela saída de Jucá após suspeita de tentativa de barrar Lava Jato

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ROMERO JUC
José Cruz / Agência Brasil
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Após o vazamento de conversa em que o ministro do Planejamento, Romero Jucá, fala em pacto para barrar investigações da Lava Jato, partidos se mobilizam para sua saída do governo.

Senador do PMDB licenciado, Jucá foi uma dos principais articuladores do impeachment da presidente Dilma Rousseff e é um dos ministros mais próximos do presidente em exercício, Michel Temer.

De acordo com a Folha de São Paulo, Temer, está sendo aconselhado por sua equipe a determinar um afastamento temporário de Jucá.

O presidente em exercício disse ao jornal que tomará uma decisão entre hoje e amanhã, mas reafirma seu "compromisso com as investigações da Operação Lava Jato, que fez um bem ao país" e que se "houver embaraços pela frente, eles serão retirados".

Para o líder do DEM no Senado, senador Ronaldo Caiado (GO), o afastamento de Jucá seria uma forma de Temer demonstrar apoio às invetigações da Polícia Federal e do Ministério Público.

"Qualquer denunciado tem a obrigação e o direito de se defender das acusações que recaem sobre ele. Mas esses atos individuais deverão ser tratados longe da administração pública para que a reestruturação e a credibilidade do governo não sejam comprometidas", afirmou Caiado, em nota.

No governo Temer, o DEM comanda o ministério da Educação, onde o titular é Medonça Filho.

Do mesmo partido de Jucá, a ex-ministra da Agricultura, Katia Abreu, também criticou a atuação do correligionário.

O PSOL irá entrar com uma representação na Procuradoria Geral da República (PGR) pedindo a prisão do peemedebista por obstrução da Justiça, motivo que levou o então senador Delcício Amaral (Sem partido – MS) a ser preso em novembro.

“O PSOL não reconhece Temer como presidente e nem os corruptos que o acompanham. O mínimo que a PGR deve fazer é pedir a prisão de Jucá. O mínimo que O STF deve fazer é acatar o pedido”, afirmou, em nota, o presidente nacional do PSOL, Luiz Araújo.

O senador Temário Mota (PDT-RR), irá entrar com representação no Conselho de Ética do Senado pedindo a cassação do mandato do senador licenciado. "Ele advogou em causa própria. Ele nunca pensou no Brasil", disse Telmário.

Impeachment

Para o PT, o diálogo de Jucá demonstra a verdadeira razão do impeachment. "O objetivo é frear a Lava Jato e empurrar para baixo do tapete as investigações. O povo brasileiro tem o direito de saber tudo sobre essas gravações. Não podemos admitir que um diálogo como esse não seja investigado a fundo", afirmou Ricardo Berzoini, ministro da Secretaria de Governo durante a gestão de Dilma.

Ele defendeu a demissão do ministro do Planejamento e a investigação da relação dele com Temer.

Os deputados do PT, Maria do Rosário (RS) e Reginaldo Lopes (MG) também pressionam pela saída de Jucá e voltaram a criticar a articulação pelo impeachment.

Após a revelação das conversas, Jucá afirmou que não irá deixar o ministério e que está tranquilo em relação as investigações sobre seu envolvimento na Lava Jato. De acordo com ele, a conversa não se referia a barra a operação.

"Não me referia à Lava Jato. Falava sobre a economia do país e entendia que o governo Dilma tinha se exaurido. Entendia que o governo Temer teria condição de construir outro eixo na política econômica e social para o país mudar de pauta", disse Jucá em entrevista à rádio CBN, pela manhã.

‘Estancar essa sangria’

Em conversas gravadas de forma oculta com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o ministro do Planejamento sugeriu que uma mudança no governo federal resultaria em um pacto para "estancar a sangria" da Lava Jato, que investiga ambos, segundo a Folha de S.Paulo.

De acordo com a reportagem, os diálogos aconteceram semanas antes da votação na Câmara dos Deputados que autorizou o andamento do processo de impeachment da presidente Dilma.

Em um dos trechos da conversa, Jucá diz ao interlocutor: "Tem que mudar o governo para estancar essa sangria", em resposta à preocupação expressada por Machado de que sua investigação na Lava Jato saísse do Supremo Tribunal Federal (STF) e fosse parar nas mãos do juiz federal do Paraná Sérgio Moro.

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