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Hospital impede obstetra de realizar partos humanizados e alega que 'gritos incomodam os pacientes'

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Você se permite o sofrimento?
O quanto a dor do outro é capaz de te incomodar?
Qual o desconforto que ela te causa?

Um hospital suspendeu a realização de partos humanizados sob a alegação de que os gritos das mães incomodam outros pacientes. Parece absurdo, mas é verdade.

O caso ocorreu em Cuiabá, no Hospital São Mateus, e a suspensão foi validada este mês. De acordo com informações do blog Maternar, da Folha de S. Paulo, a decisão foi comunicada ao obstetra Victor Rodrigues, especializado em partos desse tipo, sem qualquer diálogo.

Ao blog, o obstetra contou que foi convidado a participar de uma reunião com a direção do hospital. No encontro, a administração solicitou que ele não internasse mais as suas pacientes. A justificativa, segundo ele, é que a ouvidoria do hospital recebeu reclamações, pois as grávidas gritavam demais no parto humanizado e incomodavam as demais pessoas que frequentam a instituição.

“Tem paciente que verbaliza mais, outras menos. Perguntei quantas reclamações tinham recebido e não souberam dizer. Responderam só que era bastante. Dos 120 partos que fiz no ano passado, só quatro precisaram de internação. E cesariana é o que mais dá UTI. Daí vieram com a história dos gritos, pois tem cirurgia cardíaca e paciente que teria reclamado do barulho."

O departamento de Recurso Humanos do São Mateus, contudo, justificou que o hospital “não tem ambiente apropriado para realizar partos humanizados, atualmente praticados no quarto." Para a instituição, a falta de estrutura coloca em risco a segurança da mãe e do bebê. “Os partos humanizados exigem todo um ambiente preparado conforme normas do Ministério da Saúde."

Nas redes sociais, ex-pacientes e colegas do médico demonstraram indignação diante da decisão do Hospital e criaram a #EuApoioDrVictorRodrigues

O parto humanizado

São características desse tipo de procedimento a atenção e o protagonismo total da mãe. O parto humanizado não é um "tipo", mas um processo em que se respeita as emoções do parto, seja sofrimento ou alegria. A ideia é a de que se evite intervenções ou manobras médicas para acelerar o processo do nascimento.

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Imagens capturam a especial relação entre mães e assistentes de parto.
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