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Esta técnica simples de terapia pode ajudar a reduzir o risco de suicídio

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O tratamento de saúde mental tem nuances e deve ser diferenciado para cada indivíduo.

No entanto, novas pesquisas revelam que existem algumas técnicas que podem funcionar de forma geral — ainda assim, a mais recente descoberta consiste em um método bem pessoal e simples.

Um recente artigo publicado na revista PLOS Medicine revelou que receber algumas sessões de terapia especializada juntamente com cartas pessoais de um terapeuta podem funcionar como uma forma de intervenção para indivíduos em risco de cometer suicídio.

Os pesquisadores testaram uma técnica chamada ASSIP (sigla em inglês para “Curto Programa de Intervenção de Tentativa de Suicídio”) com aproximadamente 120 pessoas que haviam sido internadas recentemente em um hospital na Suíça, depois de uma tentativa de suicídio.

Os participantes foram divididos entre um grupo de controle que recebia terapia convencional e o grupo ASSIP, que usava a terapia acompanhada de cartas escritas posteriormente pelo profissional de saúde mental.

O grupo ASSIP também foi submetido a três sessões especializadas com terapeutas que focaram em tópicos específicos, compartilhando histórias pessoais sobre o que os levou a atentar contra a própria vida. No segundo encontro, o paciente e o terapeuta assistiram ao vídeo juntos com a tarefa de refletir sobre o incidente depois que a sessão acabasse.

Na última sessão, o paciente e o profissional discutiram como prevenir o suicídio no futuro e o paciente traçou metas de longo prazo.

Depois que a parte do estudo associada ao tratamento foi concluída, os terapeutas enviaram aos pacientes do grupo ASSIP seis cartas no período de 24 meses.

As cartas continham, na maioria das vezes, instruções de segurança e informações para o autocuidado, mas também algumas frases pessoais específicas para cada paciente e que foram assinadas pelo especialista em saúde mental.

Os pesquisadores monitoraram os pacientes depois daqueles 24 meses e descobriram alguns resultados bastante surpreendentes.

Uma pessoa de cada grupo cometeu suicídio. No entanto, o grupo ASSIP registrou apenas cinco novas tentativas, comparadas com 41 no grupo de controle em que os indivíduos não receberam cartas ou um tratamento mais especializado de profissionais de saúde mental.

É importante salientar que o estudo foi conduzido em um grupo relativamente pequeno, e não há uma conclusão definitiva de como a técnica poderia ser aplicada na sociedade em geral. Uma limitação, segundo os autores, é que alguns pacientes desistiram do estudo durante os dois anos do processo de acompanhamento.

Outros programas de saúde mental estão planejando adotar a técnica ASSIP em seus próprios estudos, segundo o jornal The Washington Post, uma iniciativa que pode proporcionar um entendimento mais holístico de como o programa pode ajudar.

No entanto, de forma geral, o resultado representa um passo promissor no tratamento de saúde mental em muitas maneiras.

A questão dos custos é a razão número 1 pela qual muitas pessoas não procuram apoio apropriado, segundo uma pesquisa conduzida pela Administração de Serviços de Saúde Mental e Abuso de Substâncias dos Estados Unidos.

Além da técnica ASSIP parecer eficaz na intervenção do suicídio, os autores do estudo observaram que o programa demanda poucos custos e esforços.

“O ASSIP preenche a necessidade de uma intervenção de baixo custo e fácil de ser administrada”, escreveram os pesquisadores na conclusão.

Os resultados também fornecem sugestões interessantes não apenas para os médicos, mas também para os entes queridos daqueles que sofrem de doença mental. Existe poder na atenção pessoal — mesmo em algo simples como um recado. Quando se trata de atentar contra a própria vida, estender a mão pode ter um impacto positivo e duradouro.

Envie mensagens [e-mail, SMS], ligue — faça tudo o que for possível para enviar à pessoa uma mensagem de esperança, cuidado, atenção e apoio”, disse Dan Reidenberg, diretor executivo da organização Suicide Awareness Voices of Education (Save), em uma entrevista recente ao The Huffington Post.

Mais de 42 mil americanos morrem todo ano em consequência do suicídio, algo que efetivamente se pode evitar.

A melhor forma de reduzir o risco é a vigilância. Priorizar o tratamento adequado e oferecer apoio aos que sofrem de problemas mentais são cruciais para a intervenção — e, ao que parece, simples técnicas de terapia personalizada são um excelente complemento.

Caso você — ou alguém que você conheça — precise de ajuda,, ligue 141, para o CVV - Centro de Valorização da Vida. O atendimento é gratuito. No exterior, consulte o site da Associação Internacional para Prevenção do Suicídio para acessar uma base de dados com redes de apoio disponíveis.

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