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Como as mulheres lidam com a menstruação no espaço

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ASTRONAUTA
Se você acha complicado ficar menstruada na Terra, imagine no espaço. | MAX DANNENBAUM VIA GETTY IMAGES
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As mulheres aqui na Terra podem achar que a menstruação é uma inconveniência mensal, mas imagine só o que acontece com as astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (EEI).

Lá em cima não é fácil manter a higiene pessoal, pois a água é limitada. O desafio adicional de trocar os itens de higiene pessoal num ambiente de microgravidade torna tudo ainda mais difícil.

E há a questão do encanamento: o sistema de reciclagem de água a bordo da EEI – usada para reaproveitar a água da urina – não foi construído prevendo a possibilidade da mistura do sangue menstrual.

Na realidade, há vários motivos pelos quais uma astronauta possa preferir não menstruar quando estiver no espaço. Qual é a melhor solução? Para missões curtas, elas podem simplesmente usar pílulas anticoncepcionais.

Mas, para missões mais longas, evitar a menstruação completamente pode ser preferível, segundo uma nova pesquisa publicada na revista científica npj Microgravity.

Evitar a menstruação (também chamado de “supressão menstrual”) está se tornando mais comum entre as mulheres em geral e começa a ser mais aceito pelos médicos, segundo os autores, Varsha Jain, do Centro de Ciências Fisiológicas Humanas e Aeroespaciais, de Londres, e Virginia Wotring, professora assistente do Centro de Medicina Espacial da Faculdade de Medicina de Baylor, nos Estados Unidos.

Hoje em dia, há várias opções para as mulheres que decidem pular suas menstruações, mas não se sabe se essas opções serão tão eficientes durante longas viagens espaciais como são na Terra.

“Com mais mulheres indo para o espaço, temos de nos certificar de que temos as informações mais atualizadas” sobre as opções disponíveis para elas, disse Jan num comunicado.

O que as astronautas têm de fazer, então?

Uma das maneiras mais comuns para as mulheres não menstruarem é tomar a pílula, que usa uma combinação de estrogênio e progesterona para suprimir o ciclo menstrual.

Embora os autores do estudo afirmem que esse método funciona bem (na realidade, ele é usado há muito tempo em viagens espaciais), ainda há questões que precisam de resposta.

Tomar hormônios pode afetar a densidade óssea, escrevem os autores. Essas perdas de densidade óssea não costumam preocupar aqui na Terra, mas, durante os voos espaciais, quando a perda de densidade óssea se acelera, isso poderia representar um problema, afirmam os autores.

E, é claro, tomar a pílula todos os dias requer levar levá-las para o espaço. Como se viu no filme Perdido em Marte, cada grama de peso extra conta em uma viagem espacial.

Os autores estimam que uma missão de três anos exigiria cerca de 1 100 comprimidos, mais as embalagens. Eles também observam que a estabilidade desses remédios ainda não foi testada em período tão longo no espaço.

Portanto, em vez da pílula, contraceptivos reversíveis de longa duração podem ser a melhor alternativa, dizem os autores. Esses contraceptivos incluem dispositivos intrauterinos (DIUs) ou implantes subcutâneos.

Nenhuma das opções demonstrou ter afetado a densidade óssea em estudos realizados na Terra.

Além disso, um único DIU ou implante subcutâneo eliminaria os problemas de volume ou estabilidade das pílulas anticoncepcionais.

E nenhuma das opções interferiria com a execução de tarefas durante as missões, escrevem os pesquisadores.

Eles também observam que não há relatos na literatura sobre uma possível movimentação desses objetos dentro do corpo das astronautas, por causa da força gravitacional excessiva a que elas são submetidas na decolagem e no pouso.

Hoje, há dois tipos de DIU. Um deles libera pequenas quantidades de hormônio ao longo do tempo e é o preferido para viagens espaciais. Outro tipo de DIU impede a gravidez liberando íons de cobre, mas não suprime a menstruação.

Implantes subcutâneos funcionam de maneira semelhante ao DIU hormonal; eles liberam pequenas quantidades de hormônio ao longo do tempo. Diferentemente dos DIUs, entretanto, eles não são inseridos no útero, mas sim sob a pele, tipicamente na parte superior do braço.

O implante não causa nenhum tipo de interferência com as roupas e também não deve apresentar problemas com as roupas usadas nas viagens espaciais.

Como as duas opções demoram um certo tempo para efetivamente suprimir a menstruação, os autores afirmam que as astronautas que escolherem as opções de longa duração devem se planejar com um ano e meio a dois anos de antecedência.

Originalmente publicado no site LiveScience

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Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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