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Pela vida desde a concepção: Conheça a futura secretária da Mulher do governo Temer

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FTIMA PELAES
Reprodução/Facebook
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A futura secretária da Mulher do governo do presidente em exercício Michel Temer já foi chamada de feminista radical e hoje é considerada uma defensora da família e da vida desde a concepção.

Socióloga, deputada federal por cinco mandatos e atual presidente do PMDB Mulher, Fátima Pelaes (AP) tem uma trajetória de vida política com pelo menos duas marcas:

1. Mudança ideológica, que se deu ao “conhecer Jesus”; e

2. Escândalo sobre desvio de verba, que a levou a estampar reportagens sobre fraudes e esquemas de corrupção.

Mulher

Em 2013, em entrevista à Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD) News, a peemedebista fez um breve relato de como a presença de Deus mudou sua concepção sobre as pautas que tramitam na Casa.

"De 1991 a 2002, exerci três mandatos de deputada federal. Nesse período, como ainda não conhecia Jesus Cristo, defendi bandeiras de lutas contrárias aos valores bíblicos, como, por exemplo, a defesa do aborto, por entender, naquela época, que a mulher era “dona” de seu corpo, não conseguindo enxergar que ali há uma vida.

Defendi, veementemente, o Projeto de Lei 1135/91, que visava a descriminalizar o aborto no Brasil. Além disso, não via a família como um projeto de Deus e cada um deveria constituí-la como bem entendesse.

Após o naufrágio e minha conversão, passaram-se quatro anos. Conquistei novo mandato de deputada federal. Coloquei o mandato à disposição de Deus. Firmei um compromisso de glorificar o nome do Senhor naquela Casa de Leis. Hoje, eu defendo o direito à vida, o direito de viver tem que ser dado para todos, assim como foi dado para mim, por mais de uma vez”, disse ao CPAD News.

Em seguida, Pelaes disse que conseguiu reverter uma discussão sobre o Estatuto do Nascituro ao contar sua história.

"Certa feita, na acalorada discussão do projeto de lei “Estatuto do Nascituro” (P.L 478/2007), que defendia a vida desde a concepção, havia uma estratégia bem montada pelos parlamentares defensores do aborto para não aprovar o projeto. A estratégia estava dando certo, até o momento em que fui tomada por um forte impulso do Espírito Santo. Em meio ao calor da discussão, solicitei à palavra. Naquele momento, já havia chorado bastante. Estava indignada pela forma como a matéria estava sendo tratada.

A concepção do ser humano estava sendo tratada numa perspectiva puramente humana, sem considerar que Deus é autor da vida. No embate, um deputado colocava o aborto como direito que a mulher tem sobre o seu próprio corpo. Foi aí que reagi e, contrariando minhas posições dos mandatos anteriores, surpreendentemente, senti força e coragem como nunca antes e falei com autoridade sobre o assunto, relatando minha vida pessoal. Ao concluir a explanação, observei que muitos estavam chorando. O cenário político havia mudado. Os deputados mudaram de posição. Não havia mais clima para aprovar aquele malsinado projeto de lei."

Em um discurso emocionado, a então deputada ressaltou ainda que tinha nascido de um estupro e não poderia ser a favor do aborto.

Quando exercia o mandato de deputada, Pelaes votou contra proposta do deputado Chico Alencar (PSol-RJ), que proibia uma empresa de pagar salários diferentes a homens e mulheres para o mesmo cargo.

Escândalo no Turismo

Em 2011, a peemedebista foi protagonista de uma série de reportagens sobre desvio de recursos públicos do Ministério do Turismo. A empresa fantasma Conectur, que teria recebido a verba e repassado à então deputada, funcionava na Assembleia de Deus Casa de Oração do Betel.

Na época, o pastor Wladimir Furtado, disse tinha o convênio de R$ 2,5 milhões com o Ministério do Turismo por ser “turismólogo” e negou que o dinheiro teria sido direcionado à peemedebista.

O caso é apenas um braço da Operação Voucher, que esteve sob investigação no Supremo Tribunal Federal. Pelaes nega as acusações.

Em depoimento à Polícia Federal, Hellen Luana Barbosa da Silva, sócia da Conectur, confirmou que a então deputada ficou com o dinheiro do contrato para abastecer o caixa da campanha de reeleição.


PMDB

Até abril deste ano, Peleaes, que perdeu as eleições em 2014, era diretora de Administração da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Ela foi exonerada do cargo pela presidente afastada Dilma Rousseff logo após o PMDB anunciar rompimento com o governo.

Antes de se filiar ao PMDB, a futura secretária foi do PSDB e do PFL (atual DEM).

A Secretaria Nacional de Política para as Mulheres já chegou a ter status de ministério no governo de Dilma e foi comando pela socióloga Eleonora Menicucci. No governo Temer, o órgão ficará sob o guarda-chuva do Ministério da Justiça, comandado pelo ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo Alexandre de Moraes.

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