Huffpost Brazil

Em Hiroshima, Obama pede 'mundo sem armas nucleares' e diz que não se deve 'repetir os erros do passado'

Publicado: Atualizado:
OBAMA HIROSHIMA
JIM WATSON via Getty Images
Imprimir

O presidente Barack Obama fez hoje (27) visita histórica a Hiroshima, cidade japonesa destruída por uma bomba nuclear americana em 1945.

Como Obama já havia antecipado, a visita não foi acompanhada por um pedido formal de desculpas dos Estados Unidos pelo lançamento da bomba nuclear. No entanto, o presidente norte-americano disse que não se deve “repetir os erros do passado".

"A memória da manhã do dia 6 de agosto de 1945 não deve nunca se apagar", disse Obama no parque, ao lado do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe.

Em um discurso que analisou a história da guerra, Obama expressou seu desejo de reduzir o perigo de armas nucleares. "A revolução científica que levou à divisão do átomo requer também uma revolução moral", disse.

Abe também falou para uma plateia que incluía vítimas do bombardeio atômico. "Eu gostaria de expressar os meu respeito ao presidente Obama por sua determinação e coragem", afirmou.

Os dois governos torcem para que a visita de Obama a Hiroshima destaque um novo nível de reconciliação e laços mais firmes entre os ex-inimigos. "Viemos ponderar a força terrível desencadeada no passado não tão distante", disse Obama após depositar uma coroa de flores em um memorial da paz.

"Viemos lamentar os mortos, incluindo os mais de 100 mil homens, mulheres e crianças japonesas, milhares de coreanos e uma dúzia de norte-americanos feitos prisioneiros. Suas almas falam conosco".

Antes de depositar a coroa, Obama visitou um museu que exibe peças assombrosas como fotos de vítimas com queimaduras graves, as roupas esfarrapadas e manchadas que usavam e estátuas representando pessoas com a carne derretendo nos membros.

"Já conhecemos a agonia da guerra", escreveu ele no livro de visitas. "Vamos agora encontrar a coragem, juntos, para disseminar a paz e buscar um mundo sem armas nucleares".

Depois de discursar, Obama trocou apertos de mão e conversou brevemente com dois sobreviventes da bomba atômica. Ele e Sunao Tsuboi, de 91 anos, sorriram e trocaram algumas palavras, enquanto Shigeaki Mori, de 79 anos, chorou e recebeu um abraço do presidente.

Antes de sua chegada, multidões se reuniram em torno do Hiroshima Peace Memorial Park com a esperança de ver brevemente o presidente americano. O acesso ao parque ficou restrito.

Memória

Em lados opostos durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos lançaram duas bombas atômicas sobre o Japão: em Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, quando 80 mil pessoas morreram imediatamente e um total de 140 mil pessoas morreram até o final do mesmo ano; e em Nagasaki, três dias depois, quando 75 mil pessoas morreram no mesmo dia e mais de 100 mil até o fim de 1945. Milhares de japoneses sofreram sérios problemas de saúde nos anos que se seguiram ao bombardeio, devido aos efeitos da radiação.

Seis dias depois da detonação da segunda bomba atômica sobre Nagasaki, em 9 de agosto de 1945, o imperador Hirohito anunciou que o Japão se retirava da guerra. A visita de Obama a Hiroshima é a primeira de um presidente norte-americano ao local. Em 1974, o então presidente Gerald Ford descartou visitar Hiroshima. Alegou que não queria arriscar as boas relações com o Japão. Em 2008, George W. Bush recusou a ideia da visita.

Jimmy Carter viajou para Hiroshima só após deixar a presidência. O ex-presidente Richard Nixon esteve na cidade antes de assumir o cargo. Em 2016, o secretário de Estado John Kerry tornou-se o primeiro ocupante do cargo a visitar Hiroshima e depositar uma coroa de flores em homenagem às vítimas, já preparando a visita de Obama.

(Com informações da Agência Brasil, Estadão Conteúdo e Reuters)

LEIA MAIS:

- Em discurso, Obama critica populismo de Donald Trump: 'A ignorância não é uma virtude'

Também no HuffPost Brasil

Close
Obama em Hiroshima
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção