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Super-heroínas multiculturais feitas por mulheres, para mulheres

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Jazmin Truesdale cresceu lendo quadrinhos. Mas, ao ficar mais velha, perdeu o interesse pelas tramas e pelos personagens, quase sempre homens.

“Quando você fica mais velha, começa a perceber coisas como sexismo e racismo no entretenimento que consome, e eu estava ficando cada vez mais desanimada com os quadrinhos”, disse ela ao The Huffington Post. Em vez de se afastar do seu interesse, entretanto, ela mergulhou nele, imaginando um grupo de heroínas que refletem melhor as vidas das mulheres reais que leem histórias em quadrinhos.

“Na indústria dos super-herois, há muitas mulheres fisicamente fortes e pessoas negras, mas elas não são verdadeiramente empoderadas”, diz Truesdale. “Elas aparecem em uma história ou outra e depois desaparecem no limbo dos super-heróis.”

Ela se refere especificamente a Nubia, uma negra que apareceu nas histórias da Mulher Maravilha. Nubia era tão poderosa quanto a personagem principal, mas quase não foi mais vista depois de três aparições no fim dos anos 1970. Seu destino é comum entre as super-heroínas, que tendem a surgir somente como interesses românticos – hum... Mulher Gato? --, não como estrelas principais.

“As super-heroínas nunca foram pensadas para as mulheres”, diz Truesdale. “Elas são criadas por homens, para homens. As personagens ou são baseadas em estereótipos femininos ou são literalmente versões regurgitadas de personagens masculinos famosos.”

Pode não ser uma crítica muito justa, especialmente diante das tentativas recentes da Marvel de criar e promover super-herois negros e super-heroínas.

Ano passado, por exemplo, a empresa fez um reboot da série Thor, revelando que Thor foi substituído por uma mulher – uma antiga paixão de seu alter ego, para ser exato.

É um passo na direção certa, mas será que incluir personagens novos e reimaginados em tramas centradas em homens brancos realmente vai mudar alguma coisa? Truesdale acha que não.

“Quando um super-heroi derrota o vilão, ele fica com a garota. Mas qual é a recompensa da super-heroína? Nada. Ela derrota o vilão e vai para casa sozinha”, diz ela.

“Ela nem sequer tem amigas para quem ligar e sair para comemorar a vitória. Se ela tem namorado, normalmente é um super-herói mais forte que ela, o que inconscientemente diz para as meninas que, para conquistar um cara, você não pode ser tão ou mais forte que ele.”

Truesdale achou melhor começar do zero, criando personagens mulheres que são indivíduos completos e que são definidas por suas relações umas com as outras, não por seus romances.

aza comics

Ela criou o universo Aza, que consiste de Ixchel, uma mulher que combate o crime usando mais o cérebro e menos os músculos; Adanna, uma mulher superforte que é dona de uma oficina mecânica; Kala, uma ativista apaixonada; e mais.

A equipe, conhecida como “The Keepers”, foi ilustrada por Remero Colston e faz parte de uma graphic novel publicada em formato digital.

Truesdale espera que sua obra ajude no combate aos estereótipos de mulheres vistos nas HQs – que apenas glorifica o sex appeal das mulheres – e também deixe claro que as mulheres não apenas brigam entre si.

Nos quadrinhos, é raro ver duas mulheres numa cena, a menos que elas estejam lutando. Mas, como observa Truesdale, “as mulheres não brigam mais nem menos que os homens. A única diferença é que as pessoas só parecem se importar quando nós estamos envolvidas. Dois homens brigando não chamam a atenção de ninguém”.

Será que as editoras de quadrinhos vão adotar a mesma abordagem, criando personagens mulheres e de minorias multifacetados, capazes de atrair não só os leitores homens? Em um universo em que os homens voam mais rápido que a velocidade da luz, já aconteceram coisas mais estranhas que isso.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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