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Advogada acusa delegado de culpar vítima e quer ele fora do caso de estupro

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ALESSANDRO THIERS
Tomaz Silva / Agência Brasil
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Responsável por representar a jovem de 16 anos, vítima de estupro coletivo, a advogada Eloísa Samy pediu a saída de Alessandro Thiers, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática da Polícia Civil do Rio, do caso.

De acordo com ela, durante o depoimento, Thiers questionou se a adolescente tinha hábito de fazer sexo em grupo. “É uma nítida culpabilidade da vítima”, afirmou Eloísa ao HuffPost Brasil. Ela pediu ajuda da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para determinar qual medida jurídica pode ser adotada para pedir o afastamento.

O delegado tem afirmando que ainda não há comprovação do estupro, apenas do crime de divulgação de imagens de menor de idade nua. Ele aguarda resultado do exame de corpo de delito. Foi pedida urgência na análise.

Para a advogada, é preciso que o caso fique com uma delegada. “Deve ser uma mulher. É uma questão até de vivência”, defendeu. Ela disse que delegados homens tiveram conduta semelhante em outros casos que defendeu, o que dificulta a apuração dos fatos.

Dados do Ministério Público mostram que, em 2014, foram registrados 4.725 estupros no estado. No entanto, apenas 6% dos casos (um total de 286 inquéritos) viraram ação penal na Justiça, de acordo com o jornal O Globo.

Na sexta-feira, o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou que a prisão preventiva dos suspeitos não havai sido pedida por “detalhes jurídicos”. “Existe um delegado à frente da investigação e se ele não o fez é porque não reuniu subsídios para isso”, afirmou em entrevista coletiva.

Ativista em defesa dos direitos humanos, Eloísa já foi alvo de denúncia do Ministério Público do Rio por formação de quadrilha durante a participação em protestos de junho de 2013. O MP alegou que a advogada cedeu a casa para reuniões de planejamento de atos violentos.

Outras 22 pessoas, incluindo a ativisa Elisa Quadros, a Sininho, também são alvo dessa denúcia, com pedido de prisão preventiva. Segundo o G1, a advogada se ofereceu a ativistas para prestar assistência jurídica em caso de violência policial e tinha perfil conciliador.

ATUALIZAÇÃO:

O Ministério Público do Rio de Janeiro opinou a favor da saída de Alessandro Thiers da condução do caso. O promotor Bruno Lavorato expedirá ofício pedindo que a investigação sobre o estupro seja conduzida apenas pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav), de acordo com o G1.

De acordo a advogada, o Tribunal de Justiça determinou o desembramento do inquérito na noite de sábado, mas a Corte informou, neste domingo, que não havia tal determinação. O processo corre em segredo de justiça por envolver menor e por se tratar de um estupro.

O MP é favorável que se investigue se o delegado infringiu o artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que trata de submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento.

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