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4 coisas que você precisa saber sobre a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo deste ano

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A cidade de São Paulo vai ficar ainda mais colorida com a Parada do Orgulho LGBT no domingo (29).

Em 20ª edição, o protesto organizado pela Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT) é considerado um dos maiores pró-LGBT do mundo – e um dos momentos de maior visibilidade para a comunidade no Brasil.

transgender flag

A marcha acontece na sequência de dois avanços importantes e necessários: as aprovações do uso do nome social em crachás para servidores transgênero, por meio de decreto assinado pela presidente afastada Dilma Rousseff (PT) em abril, e do nome social na identidade profissional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e registro da entidade, no último dia 17.

Em contrapartida, vivemos um período delicadíssimo quando o assunto é direitos de minorias. O fim do Ministério dos Direitos Humanos, via decreto do presidente interino Michel Temer (PMDB) no último dia 12, é visto com grande preocupação por especialistas.

"Nós tínhamos muita dificuldade em avançar nas pautas por causa de um legislativo fundamentalista, por um judiciário conservador e por um executivo tímido", explica o advogado e militante dos direitos humanos Renan Quinalha, em recente entrevista ao HuffPost Brasil.

"Agora, com esse novo quadro, ou resistimos nas ruas ou haverá retrocessos históricos."

Carlos Magno, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABLGBT), afirmou na mesma reportagem que estamos diante de um retrocesso de "mais de 30 anos".

"Já não temos uma lei que criminalize a homofobia, não temos serviços, muito menos política pública. É óbvio que essa população que já é vulnerável vai ficar exposta a mais violência, mais ódio e à negligência do governo", disse.

A Parada do Orgulho LGBT vem em um momento crucial para os LGBT. Confira abaixo algumas informações indispensáveis sobre o evento deste ano:

1. Chega de transfobia!

A Parada de 2016 tem um tema atual e urgente: Lei de Identidade de Gênero Já! – Todas as Pessoas Juntas contra a Transfobia!

Segundo a Transgender Europe, a transfobia matou no Brasil 70 pessoas só neste ano. Somos líderes neste ranking, infelizmente.

A Lei de Identidade de Gênero, cuja aprovação é pedida no tema da Parada, é o projeto de lei 5.002/13, também conhecido como Lei João W. Nery – a primeira pessoa trans no Brasil a fazer a cirurgia de confirmação de sexo no País – e propõe o direito à identidade de gênero, seja no tratamento conforme a pessoa trans pede ou no registro de seu nome social em documentos.

Os autores do PL são os deputados federais Jean Wyllys (PSOL-RJ) e Erika Kokay (PT-DF). Atualmente, está em tramitação na Câmara, na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e o relator é Luiz Couto (PT-PB). Precisamos que ele seja aprovado.

Além disso, a atriz trans Viviany Beleboni, que teve destaque na marcha de 2015 – e foi alvo de muito preconceito – por encenar uma crucificação, confirmou retorno para protestar contra o fundamentalismo religioso e aos retrocessos praticados por políticos conservadores.

"Meu figurino e meu ato artístico estarão representando a Lei de identidade de Gênero Já, que não passa justamente por causa dessa bancada evangélica. Vou falar de religião quantas vezes forem necessárias", disse em entrevista à Agência Estado.

O presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT (APOLGBT), Fernando Quaresma, disse à Agência Brasil:

"Conseguimos vários direitos ao longo desses anos. O direito de sair da invisibilidade, de demonstrar nossa afetividade em público, pensão por morte, casamento, união estável e planos de saúde. Mas tudo isso veio pelo Judiciário e hoje queremos que o Legislativo faça algo pela comunidade LGBT. Queremos que aprove uma lei que beneficie o segmento T, com a mudança da identidade de gênero".

2. É a primeira Parada após a inclusão no calendário oficial de São Paulo.

gay pride são paulo

No último dia 24, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), assinou decreto que torna a Parada parte do calendário oficial da cidade.

"Há muitas iniciativas de incluir no calendário da cidade as mais diversas atividades, mas ninguém se lembrou durante 20 anos incluir a expressão LGBT", disse o prefeito à Folha de S.Paulo.

"Nós chegamos a estimular algumas pessoas a fazer isso por lei, mas como ninguém tomou a iniciativa, decidi baixar um decreto", explicou. "É o mínimo que se pode fazer depois de 20 anos."

3. A equipe da série Sense8 vai gravar cenas na Parada.

A série da Netflix fez o anúncio em abril. Os atores já estão na capital paulista.

Inclusive, a co-criadora de Sense8, Lana Wachowski, fez uma visita ao Centro de Cidadania LGBT, no Arouche, na última sexta-feira (27). Foi lindo.

4. O comércio está otimista com os lucros que a Parada traz.

gay pride são paulo

De acordo com reportagem da TV Globo, o público LGBT gasta em uma semana normal em média R$ 1 milhão – e, na semana da Parada, este número triplica. Trata-se de um alívio para o comércio da Paulista em tempos de crise.

A manifestação intensifica o turismo na cidade: 40% do público vem de fora de São Paulo. Os turistas, que ficam em média três dias na capital, tendem a gastar R$ 1.272 nesse período.

Neste ano, a prefeitura investiu R$ 1,4 milhões no evento.

A Parada promete ou não promete?

Marque seu rosto com as cores da bandeira trans, azul, branco e rosa, e mande seu recado contra o preconceito.

chega de transfobia

A concentração acontece em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), às 10h. Os trio elétricos começam a andar ao meio-dia. O trajeto da caminhada é até a Igreja Nossa Senhora da Consolação, na Rua da Consolação; o último trio deve chegar lá perto das 18h.

Dezessete trios, mais de 30 DJs, cantoras, drag queens e go-go boys farão o entretenimento. Além disso, a marcha estará servida de ambulâncias, banheiros químicos, postos médicos, brigadistas, seguranças, cordeiros e bombeiros civis. As polícias Militar e Civil, da delegacia de polícia de repressão aos crimes raciais e delitos de intolerância (Decradi), também estarão presentes.

A hashtag #ChegaDeTransfobia registra manifestações no Twitter – onde você pode fazer sua voz ser ouvida contra o preconceito enfrentado pelas pessoas trans.

Confira dicas da APOGLBT para participar da Parada aqui.

#ChegaDeTransfobia!

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