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Parada do Orgulho LGBT faz Av. Paulista brilhar contra a transfobia e governo Temer

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A Avenida Paulista explodiu em cores e brilhou com a 20ª Parada do Orgulho LGBT neste domingo (29).

Com estimativa de dois milhões de pessoas presentes, segundo os organizadores – ainda não há número oficial divulgado –, a manifestação teve como tema Lei de Identidade de Gênero Já! – Todas as Pessoas Juntas contra a Transfobia!, mas foi marcada também por diversos protestos contra o governo do presidente interino Michel Temer (PMDB), com gritos de "Fora, Temer!", cartazes, adesivos e leques que traziam a mensagem.

Outros manifestantes também pediram o retorno da presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), e a saída de "todos" os políticos.

parada lgbt fora temer

Agora parte do calendário oficial de São Paulo, a Parada deste ano contou com 17 trios – um deles serviu para gravações da série Sense8, da Netflix:


Neste ano, a atriz e modelo trans Viviany Beleboni fez um retorno marcante ao protesto. Se em 2015 ela encenou uma crucificação – e foi alvo de muito preconceito por isso –, neste ela quis falar sobre religião novamente.

Contra o fundamentalismo e a bancada evangélica, Beleboni usou um figurino que representa a justiça e uma crítica às figuras da religião que se tornam políticas e perseguem os direitos LGBT (veja-a nas fotos abaixo).

Em entrevista ao UOL, ela disse: "Eles ficam milionários, entram na política e vêm tirar os nossos direitos. Está na hora da sociedade acordar para isso. Não estou aqui para ofender ninguém. Escárnio é o que eles fazem dentro da igreja deles, pedindo senha de cartão de crédito, né, Marco Feliciano? Eles são uma vergonha, não a gente".

Entre os políticos presentes na Parada, estavam os deputados federais Jean Wyllys (PSOL-RJ), Ivan Valente (PSOL-SP), Orlando Silva (PCdoB-SP), o ex-senador Eduardo Suplicy (PT) e o vereador Nabil Bonduki (PT).

"Os 54 milhões de votos que ela recebeu devem ser respeitados", discursou Suplicy.

Wyllys disse que a Parada demorou para priorizar as pessoas trans em sua agenda: "Nessa sopa de letras, os homens e as mulheres trans são os que mais sofrem. Não existe armário para eles. Gays e lésbicas podem se esconder, mas trans, não. Eles estão muito mais expostos à violência e ao preconceito", disse. Segundo Bonduki, a prefeitura de São Paulo vetou protestos políticos nos trios ligados a ela.

A hashtag #ChegaDeTransfobia, lançada pela organizadora Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT), reuniu diversas manifestações nas redes.

O início do evento foi marcado para as 10h, em frente ao Masp. Os trios elétricos iniciaram o trajeto perto do meio-dia e seguiram até a Igreja Nossa Senhora da Consolação, na Rua da Consolação, onde o último chegou aproximadamente às 18h. Trinta minutos depois, o trânsito de carros foi liberado em ambos os sentidos da Paulista; shows deram continuidade à Parada no Vale do Anhangabaú.

Como mostra o G1, foi registrado um caso de violência. Um policial militar foi agredido com uma garrafa de vidro na cabeça, enquanto a PM fazia uma prisão por roubo de celular.

Transfobia

A Parada deste ano vem um momento delicado para as minorias no Brasil: trata-se da primeira após o fim do Ministério dos Direitos Humanos, por decreto de Temer no último dia 12. Especialistas no tema demonstram preocupação em recente entrevista ao HuffPost Brasil – leia aqui.

parada lgbt 2016

No que se refere a transfobia, o Brasil é, infelizmente, líder no ranking de mortes de pessoas deste grupo. Segundo a Transgender Europe, só neste ano, já foram 70 mortes.

Por dados como este e histórias chocantes de violência e preconceito contra pessoas trans, precisamos que seja aprovada no Congresso a Lei de Identidade de Gênero. Atualmente em análise Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), o projeto de lei 5.002/13 – também conhecido como Lei João W. Nery – propõe o direito à identidade de gênero, seja no tratamento conforme a pessoa trans pede ou no registro de seu nome social em documentos. Os autores do PL são os deputados Jean Wyllys e Erika Kokay (PT).

Veja abaixo fotos da Parada:

  • Reuters/Nacho Doce
  • Paulo Pinto/Fotos Públicas
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  • Paulo Pinto/Fotos Públicas
  • Jornalistas Livres
  • Paulo Pinto/Fotos Públicas
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  • Paulo Pinto/Fotos Públicas
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  • Paulo Pinto/Fotos Públicas
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  • Paulo Pinto/Fotos Públicas
  • Paulo Pinto/Fotos Públicas
  • Paulo Pinto/Fotos Públicas


#ChegaDeTransfobia!

LEIA MAIS:

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