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Com demora no exame, laudo não comprova estupro coletivo no Rio

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VTIMA ESTUPRO COLETIVO RIO
Reprodução / TV Globo
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O laudo da perícia sobre o caso de estupro coletivo de jovem de 16 anos no Rio de Janeiro diz que a demora em fazer o exame foi determinante para que não fossem encontrados indícios de violência, de acordo com a edição desta segunda-feira (30) do jornal Bom Dia Rio.

A adolescente foi examinada quatro dias após o crime, que ocorreu na madrugada do dia 21 no complexo de favelas São José Operário, zona oeste do Rio.

Na manhã desta segunda-feira, foi deflagrada uma nova operação para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão.

Outra prova em análise pela polícia é o vídeo feito no local e divulgado nas redes sociais. Nele, a vítima aparece nua e desacordada e um grupo de homens, em meio a risadas, toca a garota e fala que ela foi violentada por "mais de 30".

Em entrevista ao Fantástico, o chefe de Polícia Civil, Fernando Veloso, disse que não há vestígios de sangue que se possa perceber pelas imagens. "O laudo vai trazer algumas respostas que, de certa forma, vão contrariar o senso comum que vem sendo formado por pessoas que sequer assistiram ao vídeo”, afirmou.

Pela lei 12.015, de 2009, é considerado estupro "constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso".

Depoimento

Em entrevista ao Fantástico, a adolescente disse que o delegado Alessandro Thiers, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), tentou incriminá-la durante o depoimento. "Na delegacia, tentaram me incriminar como se eu tivesse culpa de ter sido estuprada", afirmou. “Ele (delegado) botou na mesa as fotos e o vídeo, expôs e falou, 'conta aí'. Perguntou se eu tinha costume de fazer isso, se eu gostava de fazer isso. Parei (de responder) imediatamente."

Ela lamentou também a conduta de pessoas na internet, que questionaram sua versão dos fatos e sua conduta. A adolescente disse que estão sendo feitas montagens de áudios e fotos em que aparece com armas e drogas. Questionada sobre o que deseja aos que a violentaram, ela respondeu "uma filha mulher".

Também na entrevista, a jovem revela que não contou a ninguém o que tinha acontecido. O caso veio a tona após reação de movimentos feministas com a divulgação das imagens.

Neste domingo, a investigação saiu do comando de Thiers e passou para Cristiana Bento, delegada titular da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav). A troca atendeu um pedido da advogada Eloísa Samy, feito ao Ministério Público do Rio. Após a mudança, Eloísa foi dispensada pela família de continuar no caso.

Thiers havia declarado anteriormente que ainda não havia comprovação do estupro e que estava investigando "se houve consentimento dela, se ela estava dopada e se realmente os fatos aconteceram".

Em nota, a Polícia Civil do Rio afirmou que a medida visa “evidenciar o caráter protetivo à menor vítima na condução da investigação, bem como afastar futuros questionamentos de parcialidade no trabalho”.

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