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O drama de Aylan Kurdi segue acontecendo. Todos os dias

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Um ano "particularmente mortal". É assim que o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) se refere a 2016 quando fala sobre os refugiados que perdem suas vidas, todos os dias, tentando atravessar o Mediterrâneo.

De acordo com dados divulgados nesta terça-feira (31) 2.510 pessoas já morreram tentando chegar ao continente europeu pela via marítima. Apenas na semana passada foram 880 mortos, entre eles várias crianças. A maioria tenta chegar ao continente europeu fugindo de conflitos no Oriente Médio, principalmente a gurra civil que assola a Síria desde 2011.

"Atualmente, [os traficantes de pessoas] estão colocando muitas pessoas em barcos que mal podem navegar e que em muitos casos não foram feitos para essa travessia. O que acontece é que, assim que partem, eles pedem socorro e as equipes de resgate vão e os resgatam", conta William Spindler, porta-voz do Acnur.

Apesar da corrida contra o tempo, não raramente o resgate chega tarde demais. Nesta semana, mais uma foto comoveu o mundo, assim como aconteceu com a imagem do menino Aylan Kurdi, encontrado morto em uma praia turca no ano passado.

Essas imagens humanizam e, de alguma forma, dão um rosto às mais de 8.000 pessoas que perderam a vida no Mediterrâneo desde o começo de 2014. É importante lembrar, no entanto, que eles não são os únicos, e que esse drama se repete com refugiados de todas as idades, todos os dias.

mediterraneo

Na última sexta-feira (27), o voluntário alemão Martin retirou do mar um bebê, que parecia adormecido. "Ele estava como um boneco, com os braços esticados". Porém, era tarde demais.

"Peguei o bebê pelo antebraço e puxei seu corpinho para os meus braços na mesma hora para protegê-lo... os braços dele, com aqueles dedinhos, balançaram no ar, o sol bateu nos seus olhos, brilhantes, acolhedores, mas sem vida", disse ele, que trabalha para a organização humanitária alemã Sea-Watch, que opera um barco de resgate no mar entre a Líbia e a Itália.

Ainda não se sabe quem viajava junto com o bebê, em um barco de madeira que naufragou após sair de uma praia da Líbia. Tampouco se sabe se seus pais estão vivos. Além do seu corpo, outros 44 mortos chegaram ao porto de Reggio Calabria, no sul da Itália. Ao todo, 135 pessoas sobreviveram ao incidente.

Martin, que tem três filhos e que exerce a profissão de terapeuta musical, acrescentou: "Comecei a cantarolar para me confortar e para expressar de alguma maneira esse momento incompreensível, de cortar o coração. Só seis horas antes essa criança estava viva".

(Com informações da Reuters)

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