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O filho desta artista está preso, e ela pinta os rostos de um sistema penal arruinado

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sheila phipps
Sheila Phipps está ao lado de um retrato de seu filho, McKinley “Mac” Phipps Jr., e outros homens encarcerados em Louisiana

As pinceladas dos quadros de Sheila Phipps contam a história de um sistema de justiça criminal falido na Louisiana -- um estado famoso por ter a maior taxa de encarceramento do mundo.

É uma missão a que Phipps, uma artista que pinta desde a década de 1980, se dedica desde que seu filho, McKinley “Mac” Phipps, um ex-artista de hip hop da No Limits, foi condenado a 30 anos de prisão por um tiroteio ocorrido em uma boate, no ano 2000.

“Meu filho foi injustamente condenado em 2001 e agora está cumprindo pena por um crime que ele não cometeu”, disse Sheila Phipps.

A artista plástica disse que no início ela mal conseguia enfrentar a dor de ver seu filho passar uma parte tão grande de sua vida atrás das grades. Para lidar, ela foi para seu ateliê, pegou o pincel e, com uma série de movimentos precisos, capturou o elemento ausente da sua vida -- seu filho -- na tela.

“Estava frustrada, e isso me ajudou a lidar com o estresse de tudo”, disse Phipps ao Huffington Post.

Quando Phipps terminou a pintura de seu filho, ela inicialmente a considerava uma realização pessoal. Afinal de contas, a ideia é que ela fosse terapêutica -- uma breve fuga da dura realidade da situação.

No entanto, o vazio permanecia. Isso a levou a capturar não só a história de seu filho, mas também os de outros presos em situação semelhante.

“Eu sabia que o meu filho não era a única vítima do sistema de justiça criminal”, disse ela. “Então comecei a pesquisar outros casos em que indivíduos foram condenados com evidências questionáveis ou sentenças excessivas.”

Phipps disse que seu filho se tornou a inspiração para uma série de retratos de homens encarcerados.

Embora nunca tenha tido a intenção de exibir publicamente sua expressão pessoal, ela gradualmente começou a mostrar suas pinturas, reunindo-as em uma série intitulada Injustice Xhibition (algo como exposição da injustiça).

A mostra apresenta sete homens encarcerados: McKinley “Mac” Phipps Jr., Warren Scott III, Jerome “Skee” Smith, Earl Truvia, Stanley Stirgus , Rogers Lacaze Sr, e Jamil Joyner.

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“Eu precisava fazer alguma coisa para lançar alguma luz sobre o sistema de justiça criminal”, disse Phipps. “Pinto os retratos para refletir as realidades e os problemas de encarceramento em massa.”

A artista de 58 anos, que é autodidata, sempre viveu na Louisiana e pinta em um pequeno quarto nos fundos da sua casa, na cidade de Meraux.

Os críticos têm elogiado suas obras, que ela exibiu por todo o Estado. A falecida Sandra Berry, responsável pela galeria Neighborhood Gallery, uma instituição de New Orleans, disse em 2011 ao Loop21 que “ela traz uma sensibilidade e uma compaixão materna aos seus trabalhos”.

“O que pinto reflete as duras realidades da vida das pessoas”, disse Phipps ao HuffPost. “Também falo sobre os prisioneiros e trabalho em defesa de inocentes encarcerados.”

A causa de Phipps tem recebido ampla cobertura. Este mês, ela deu entrevistas para Rádio Pública de Nova Orleans e para a Al Jazeera.

Este ano, Phipps vai percorrer 20 universidades de todo o país com seu trabalho. A ideia é aumentar ainda mais a conscientização sobre o problema do encarceramento em massa na Louisiana.

A agenda em breve estará disponível na página de Sheila no Facebook.

“Isso significa muito para mim”, disse Phipps sobre seu trabalho e a turnê. “Conheci ex-prisioneiros que passaram 10, 20 e até 30 anos na prisão [e acabaram tendo as condenações revertidas].”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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