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Vale adulterou dados da barragem que rompeu em Mariana para dificultar investigações

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BENTO RODRIGUES
A fireman rescues in Paracatu de Baixo, Minas Gerais, Brazil on November 9, 2015 a dog that was trapped in the mud that swept through the Village of Bento Rodrigues on Thursday killing at least one person and leaving other 26 missing. The tragedy occurred Thursday when waste reservoirs at the partly Australian-owned Samarco iron ore mine burst open, unleashing a sea of muck that flattened the nearby village of Bento Rodrigues. AFP PHOTO / Douglas MAGNO (Photo credit should read Douglas Ma | DOUGLAS MAGNO via Getty Images
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A mineradora Vale adulterou os dados sobre o volume de lama que era depositada na barragem de Fundão. Em novembro de 2015, a barragem rompeu em Mariana (MG) e deixou 19 pessoas mortas na comunidade de Bento Rodrigues, que foi devastada pelos dejetos. A Vale, junto com a BHP Billiton, é uma das controladoras da Samarco, responsável pela estrutura.

Em relatório da Polícia Federal obtido pela Folha, a empresa mudou os documentos para confundir as investigacões do crime.

Com a mineração, a Vale gerava dois tipos de rejeitos: a lama, que era depositada na Samarco, e estruturas arenosas, que ia para o depósito de Campo Grande.

Em dezembro de 2015, um mês depois do rompimento, a Vale modificou informações sobre o teor de concentração do minério que era produzido em Mariana. Com essa falsificação, o volume total de lama em Fundão - a barragem que rompeu - ficou menor do que o valor informado inicialmente pela empresa.

A empresa alterou, segundo o informe da PF, os últimos cinco RALs (Relatórios Anuais de Lavra) que havia enviado ao DNPM (DepartamentoNacional de Produção Mineral), órgão da União. No entanto, os dados sobre minérios foram preservados.

Segundo a Polícia Federal, havia uma elevada quantidade de água nos rejeitos, o que pode ser considerado como uma das causas da ruptura.

Em resposta à Folha, a Vale admite as alterações, mas diz que foram apenas correções e que manteve a transparência nas apurações. Mas, segundo a polícia, o objetivo das mudanças era "iludir as autoridades fiscalizadoras".

"Tal fato [adulteração] tem ocorrido para que a Vale se exima de suas responsabilidades com relação aos rejeitos depositados pela mesma na referida barragem [Fundão]", avalia a PF.

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