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Secretária da Mulher diz que Temer tem sensibilidade para pautas femininas

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FATIMA PELAES MICHEL TEMER
Marcelo Camargo / Agência Brasil
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Para a nova Secretária de Políticas para Mulheres, Fátima Pelaes, contrária ao aborto mesmo em caso de estupro, o presidente em exercício, Michel Temer, é sensível a causa das mulheres.

"É um presidente que tem sensibilidade a esse tema da mulher. Criou a Delegacia da Mulher quando foi secretário de Segurança em São Paulo. Como presidente da Câmara criou a Procuradoria da Mulher. E faz a diferença uma pessoa no comando com esse olhar", afimou em entrevista ao jornal O Globo.

Mesmo ser ter sido nomeada no Diário Oficial, ela participou ontem do primeiro ato público no posto, no lançamento de um plano de combate a violência contra a mulher, ao lado de Temer.

Apesar de nas medidas anunciadas não haver referências à abordagem de assuntos de gênero no sistema educacional, Fátima disse ao Globo que "é preciso fazer um trabalho nas escolas" e que a pasta que assume faz uma interlocução com outras políticas públicas.

A secretária reconheceu que aborto é uma questão de saúde pública e afirmou que chegou ao Parlamento lutando pela igualdade e que "a questão da mulher está acima de questões partidárias".

Fátima foi deputada federal por cinco mandatos e desde 2011 preside o PMDB Mulher. A socióloga já foi chamada de feminista radical e hoje é considerada uma defensora da família e da vida desde a concepção.

Em 2010, durante discussão em uma comissão da Câmara sobre o estatuto do nascituro, a então deputada revelou que sua mãe engravidou dela quando estava presa e foi vítima de estupro.

Fátima comentou o episódio ao Globo:

"É uma história de vida que nunca usei, até então. A discussão do momento me levou a isso. Um deputado relatou oito casos de mulheres que fizeram aborto. Reagi. Minha mãe me deu condição para viver e vencer. Não uso isso em respeito a minha família."

Sobre a discussão a respeito da descriminalização do aborto, Fátima disse ao jornal que é contra e que a presidente afastada, Dilma Rousseff, tinha uma posição diferente e "não avançou porque a maioria da população não pensa assim".

Ela defendeu o diálogo e respeito a posições diferentes. "Quando se respeita a posição do outro é mais fácil o convívio dos contrários. Não somos obrigados a pensar igual ao outro, mas obrigados a viver bem e nos respeitarmos. E ver no que podemos nos unir", afirmou.

Pelaes publicou uma nota nesta quarta-feira para explicar sua posição.

"Sempre trabalhei de forma democrática para defender a ampliação dos direitos das mulheres. Em respeito à minha história de vida, o meu posicionamento sobre a descriminalização do aborto não vai afetar o debate de qualquer questão à frente da Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres. A mulher vítima de estupro que optar pela interrupção da gravidez deve ter total apoio do Estado, direito hoje já garantido por lei. Trabalharei, incansavelmente, para combater qualquer tipo de violência contra a mulher."

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