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Como um espetáculo de circo ajuda a tornar a realidade em Jerusalém mais suportável

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"Algumas pessoas se expressam através da dança ou da narração de histórias. Eu recorro ao circo porque posso conscientizar as pessoas sobre muitas coisas que não funcionam na Cisjordânia, enquanto as faço rir e esquecer as dificuldades que enfrentam todos os dias."

O relato acima é de Nour AbuRob. Artista circense, ele nasceu em Jenin, uma cidade ao norte da Cisjordânia. Para ele, o circo é uma maneira de expressar os seus sentimentos. O jovem foi uma das estrelas do espetáculo Mish Zabta ("Não está funcionando”, em português), uma das principais produções da Escola Palestina de Circo.

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Devido à escalada da violência nos últimos meses na cidade, tornou-se cada vez mais difícil para os palestinos conseguirem uma autorização para atravessar da Cisjordânia para Israel. No entanto, com a ajuda do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), a trupe da Escola, formada por oito pessoas, entre acrobatas e técnicos, obteve a permissão para apresentar o espetáculo na cidade por pelo menos seis meses.

A produção combina acrobacia, música, malabarismo e humor. O espetáculo conta a história de três jovens ambiciosos que querem realizar o seu sonho de um mundo melhor, depois de terem concluído a carreira universitária no exterior. Após o seu retorno, enquanto procuram emprego e tentam se divertir, os homens enfrentam desafios que viram pelo avesso as suas esperanças e expectativas.

Segundo o diretor-geral da Escola Palestina de Circo, Shadi Zmorrod, a ideia de montar o espetáculo surgiu depois da guerra em Gaza, há dois anos. A intenção do show era mostrar os obstáculos da vida diária de um jovem e as emoções que todos enfrentam nos dias de hoje.

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“Mish Zabta quer revelar os muitos problemas com os quais a juventude palestina se depara de modo que também cria uma válvula de escape para o público, depois de épocas difíceis que vivenciaram”, contou Shadi ao CICV.

A sede da Escola está em Birzeit, uma cidade palestina ao norte de Ramallah, na região central da Cisjordânia.

“A criatividade, as habilidades essenciais para a vida, a autoestima da criança, o trabalho em equipe, a confiança e a diversidade são apenas alguns dos aspectos que o circo promove”, comentou Christian Cardon, chefe da missão do CICV em Jerusalem, que assistiu à apresentação com as crianças.

“Hoje, está Zabta (funcionando) porque mais de 600 crianças riram e se divertiram", acrescentou.

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De acordo com a organização, as crianças que vivem em Jerusalém acabam crescendo muito rápido. O contato com o universo lúdico do circo é, portanto, uma oportunidade de que elas relaxem, se divirtam e voltem a ser crianças.

"O trauma causado pela espiral de violência, em particular entre a população mais vulnerável, como crianças e jovens, pode afetar o desenvolvimento emocional e causa complicações na saúde mental", explica a Cruz Vermelha, que acrescenta ainda que ao ver problemas sérios interpretados no circo, as crianças assimilam - e suportam - melhor a sua realidade.

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