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Autor de 'Mais de 20 Engravidou', MC Smith nega incentivar violência contra mulheres

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MC Smith não tem ligação com o o estupro coletivo no Rio, mas seu nome passou a ser relacionado ao episódio depois que uma de suas músicas foi citada no caso.

O advogado de Lucas Perdomo Duarte Santos, apontado como namorado da vítima, disse que a menção de que 30 homens teriam praticado ato sexual com a jovem era uma referência a “um rap conhecido na comunidade”.

O argumento foi o de que a letra da canção foi citada sem que realmente houvesse 30 homens no local.

A música em questão é Mais de 20 Engravidou, que conta a história de um sujeito “sinistro” que “não se intimida com as novinhas” e já engravidou várias delas. Em outro trecho ameaçador, a letra diz que “se mexer ela vai ficar de barriga”.

Na filmagem do estupro, um dos homens diz: “Essa aqui mais de 30 engravidou”. A polícia confirmou que houve estupro coletivo, mas ainda continuam na investigação de quantos participaram do crime.

Esta não é a primeira música que coloca em discussão o trabalho de MC Smith. Em 2010, a música Vida Bandida fez com que ele fosse preso, acusado de apologia ao tráfico.

Ao G1, o funkeiro de 29 anos disse que nunca fez apologia a nenhum crime. Ele define seu trabalho como o de um “repórter musical”, de uma pessoa que fala o que acontece na comunidade.

De acordo com MC Smith, Mais de 20 Engravidou foi feita em 2008:

"Tinha um morador da comunidade, que já morreu, Seu Joaquim. Antigamente era igual na roça, a galera não tinha TV e fazia outras coisas. E daí o cara tinha filho pra caraca. Ele teve 27 filhos. A música foi feita em cima da história do seu Joaquim. Ele era curandeiro do Morro do Caracol no Complexo da Penha."

Mais abusos

Violência contras as mulheres e uma delas apenas como objeto sexual são temas centrais de outras canções do MC. Como apurou o site, em um trecho de Mulher levanta Nóis, Mas Também Derruba, ele canta:

"Entra pra dentro de casa quando o bloco passar / Se eu te pegar na rua, garota, vou te amassar".

MC Smith, no entanto, nega que as músicas possam incentivar qualquer tipo de violência. E as justifica novamente com o argumento de que está apenas reportando a realidade. "Sou contra a violência contra a mulher. Se eu vir alguém bater numa mulher, pego o cara de porrada", disse.

Mesmo depois de a polícia confirmar que houve estupro coletivo no episódio do Rio, o funkeiro, diz que não acredita que o crime tenha ocorrido:

"Ninguém estuprou ela, não. Eu moro na Zona Norte. Se tivesse estuprado, todo mundo tinha matado. As próprias pessoas que moram na comunidade teriam se revoltado e linchado todo mundo. É minha opinião. Tem opiniões diversas por aí."

Nas rede sociais, trechos de letras do MC são citados por muitos fãs:

LEIA MAIS:

- #PorTodasElas: Mulheres fazem marcha contra cultura do estupro

- Polícia pede a prisão de quatro suspeitos de estupro coletivo no Rio

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