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3 valiosos conselhos para o celular não atrapalhar a relação entre pais e filhos

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Maria Teijeiro via Getty Images
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Pais e adolescentes admitem que têm uma ligação pouco saudável com seus telefones.

As pesquisas para saber se a dependência de tecnologia se enquadra na definição clássica de um transtorno de dependência ainda estão apenas começando, mas uma pesquisa nova revela que muitas pessoas sentem que são dependentes.

Metade de todos os adolescentes pesquisados disseram que se sentem dependentes de seus dispositivos móveis (smartphone, laptop, iPad, etc.) e 28% disseram que seus pais também o são. Os números são de uma pesquisa nacionalmente representativa feita com 1.200 pais e filhos pela organização sem fins lucrativos Common Sense Media.

Entre os pais entrevistados, 59% disseram que seus filhos são dependentes de seus aparelhos e 27% acham que eles próprios também são.

A pesquisa sugere que essa relação pouco saudável com os dispositivos móveis é uma fonte frequente de tensão na família: 77% dos pais acham que seus filhos adolescentes se deixam distrair pelos aparelhos e não prestam atenção quando pais e filhos estão juntos, enquanto 44% dos adolescentes sentem o mesmo em relação a seus pais. Um terço de pais e de filhos adolescentes concordam que os aparelhos pessoais causam conflitos diários na família.

Os aparelhos parecem também colocar as famílias em perigo físico, pelo menos quando são usados enquanto uma pessoa está na direção de um carro. Mais da metade (51%) dos teens dizem que já viram seus pais usando o telefone enquanto dirigem, e 56% dos pais admitem que o fazem.

Esse envolvimento pouco sadio com os aparelhos pessoais funciona nos dois sentidos: os filhos se sentem ignorados pelos pais, que dão preferência aos aparelhos, e vice-versa. Então o que os pais podem fazer para definir nova atitude em relação ao uso dos aparelhos –não apenas para seus filhos, mas também para eles próprios?

Veja as sugestões feitas por três especialistas para as pessoas que querem ser mais conscientes em relação às horas que passam diante de uma tela:

1. Dr. Michael Rich: “Esqueça os limites de tempo”.

fgruto proibido

Impor limites ao tempo de uso dos aparelhos pode ter efeito oposto ao pretendido porque pode tornar os aparelhos ainda mais desejáveis, já que seriam o “fruto proibido”.

Para Rich, que é diretor do Centro de Mídia e Saúde Infantil do Hospital Infantil de Boston, não adianta fazer de conta que computadores, telefones e outras ferramentas não são uma parte integral da vida moderna.

Ele considera as limitações específicas de tempo um resquício da época em que as telas só apresentavam entretenimento passivo. Hoje em dia se espera que crianças e adolescentes façam lição de casa, socializem e se expressem criativamente usando tecnologia.

A definição de limites rígidos de tempo só fará os aparelhos parecerem mais desejáveis, diz Rich. Essa ideia é confirmada por pesquisa recente no Líbano que concluiu, infelizmente, que as crianças cujos pais usavam o tempo passado diante de telas para discipliná-las passavam bem mais tempo diante das telas que as crianças cujos pais não usam o tempo diante de telas para castigar ou premiar seus filhos.

Em vez de acusar os joguinhos de computador de serem uma perda de tempo, ajude seu filho a preencher seu tempo de outras maneiras: peça a ele que redija uma lista de deveres e expectativas e procure entender o que seu filho realmente quer realizar.
A lista pode incluir coisas como dormir oito horas por dia, jantar em família e ir à praia com os amigos.

Depois, calcule com ele quanto tempo sobra, realisticamente, para ele ficar parado diante de uma tela de computador –e deixe que ele fique diante dela por esse tempo, aconselhou Rich.

“É preciso redefinir as prioridades da vida de seu filho e lembrar a ele que há várias coisas que ele precisa e quer fazer em cada dia”, falou Rich. “Às vezes os aparelhinhos podem seduzi-lo e desviar sua atenção dessas prioridades.”

2. James A. Roberts : “Olhe para o exemplo que você mesmo está dando.”

exemplos
Os pais dão um exemplo a seus filhos, especialmente quando se trata do uso de tecnologia.

“Os filhos aprendem mais pelo exemplo que você dá que pelo que você fala a eles”, disse Roberts, autor e especialista na psicologia do comportamento.

“Podemos falar um monte sobre o uso apropriado do celular, mas se falamos ao celular quando estamos dirigindo ou durante o jantar ou as horas passadas em família, pode ter certeza que as crianças vão captar isso mais rapidamente que qualquer coisa que você lhes diga para fazer.”

Roberts acha que deve haver horários e partes da casa em que a tecnologia não pode entrar – e que isso se aplique a todos. Ele defende que os dispositivos móveis fiquem fora do quarto, da mesa de jantar e fora de vista durante as atividades familiares.

E ele presta atenção aos indícios de utilização problemática de tecnologia. Por exemplo, se os pais já tentaram definir limites à utilização de aparelhos e então flagram seu filho mandando torpedos em segredo no banheiro, isso é sinal de um problema.

Por outro lado, ele propõe uma tática tecnológica para monitorar o uso de tecnologia. Para ajudar você e seus filhos a monitorar e restringir o tempo passado nos seus smartphones, ele aconselha o uso de aplicativos que registram quanto tempo você ficou usando dispositivos móveis a cada dia ou que deixam os pais limitar o tempo que seu filho passa ao telefone.

Mas o mais importante, ele concluiu, é que os pais que estão preocupados com o modo como seus filhos usam tecnologia devem olhar para o exemplo que eles próprios estão dando, antes de tentarem definir regras.

3. Jamie Howard: “Procure a raiz do problema.”

raiz do problema

Estudos revelam que os adolescentes que usam a Internet de maneira patológica têm tendência maior a também estar deprimidos, apresentar hiperatividade e comportamentos autodestrutivos ou até suicidas.

Mas, para Jamie Howard, psicóloga clínica e porta-voz do ChildMindInstitute, isso não significa necessariamente que tenha sido a Internet que causou esses problemas psicológicos. O mais provável, segundo ela, é que esses problemas subjacentes se manifestem em uso problemático da tecnologia.

"Diariamente em meu consultório eu atendo adolescentes que têm dificuldade em ficar afastados das mídias sociais, mas esse não é seu problema fundamental”, disse a psicóloga. “O problema fundamental geralmente é ansiedade, depressão ou bullying.”

Ela mencionou o exemplo de um casal que a procurou, irado porque sua filha adolescente não conseguia passar 20 minutos longe do seu celular. O que eles descobriram foi que um grupo de garotas estava atormentando a filha deles e postando comentários negativos sobre ela online. Era por isso que ela ficava checando a cada poucos minutos para saber o que estavam dizendo.

Embora esses três especialistas diferentes sugiram táticas distintas para recuperar o controle sobre o uso de tecnologia na família, parece haver um fio condutor comum em suas recomendações: ouça seus filhos. Chame-os para chegar a um consenso junto com eles de que a vida não se limita ao que pode ser visto na tela, e consiga a adesão deles para a definição de limites para eles e toda a família.

Deixar que seus filhos ajudem a definir o que constitui o modo “correto” de usar tecnologia em casa é uma maneira de atravessar a divisão geracional em relação ao uso de dispositivos móveis.

E é também uma oportunidade útil de ouvir o que eles sentem quando você os ignora para ficar trocando e-mails de trabalho ou escrevendo no Twitter tarde da noite.

Tudo isso é mais fácil dizer que fazer, mas é bem melhor que a outra opção: encarar batalhas diárias entre pais e filhos, ou, pior ainda, manter silêncio em relação ao problema.

Uma versão anterior deste artigo foi publicada em julho de 2015.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost U e traduzido do inglês.

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