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De FHC a Dilma, Nestor Cerveró revela como funcionou o esquema que corroeu a Petrobras

Publicado: Atualizado:
FHC CERVER DILMA
Montagem/Câmara dos Deputados/Agência Brasil
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A delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, tornada pública na última quinta-feira (2), é uma aula de como a interferência política corroeu a maior empresa estatal com capital aberto brasileira, a Petrobras.

Passo a passo, Cerveró conta como chegou e se manteve em uma das diretorias da estatal e destaca que o lobby político vem de anos atrás, desde a época em que o País era governado por Fernando Henrique Cardoso.

Em 167 páginas, a colaboração dele à Justiça culmina no episódio em que afirma que a presidente afastada Dilma Rousseff mentiu quando disse que não tinha informações suficientes sobre a refinaria de Pasadena na época em que a compra foi autorizada pelo conselho, ao qual ela presidia.

Prestígio político, network e muita propina. Essa foi a base de sustentação de Cerveró enquanto esteve em um dos cargos mais altos da empresa.

Leia aqui a íntegra da delação

O ex-senador Delcídio do Amaral é peça-chave e central na história. O ex-petista foi diretor de Gás e Óleo da Petrobras, entre 1999 e 2001. Nesta época, foi chefe de Cerveró e foi por indicação dele que o delator geriu a área internacional da estatal.

Segundo Cerveró, naquela época em que foi contemporâneo de Delcídio, o ex-senador recebia propina. O delator afirmou ainda que, após assumir o cargo, era cobrado por Delcídio para assinar contratos que rendessem propina.

Também quando o País era presidido por Fernando Henrique, uma empresa ligada ao filho do tucano, Paulo Henrique Cardoso, se aliou a Petrobras, segundo Cerveró devido a influência do pai, para fechar um contrato de R$ 715 milhões com a Alstom.

A memória de Cerveró abrange ainda a relação de Eduardo Cunha com Julio Camargo e o recebimento de propina em contas na Suíça. Alcança outros caciques do PMDB como Renan Calheiros e Edson Lobão e empresas como a Alstom e Mitsui.

Mesas de conversas e discussões de nomes a serem emplacados na estatal nas quais participaram o presidente em exercício Michel Temer ao lado do pecuarista José Carlos Bumlai. O ex-presidente Lula e a comprovação de que ele sabia que contratos da Petrobras pagaram dívidas do PT.

Cerveró fala sobre pressão para o pagamento do dinheiro desviado que, além do pagamento de dívidas, abasteceu caixas de campanhas, como a do ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil, Jaques Wagner.

O delator dá o caminho das pedras sobre a indicação de Sérgio Gabrielli para presidência da Petrobras. Segundo ele, foi apadrinhada pela República do Caranguejo, formada por Wagner, o senador Humbero Costa (PT-PE) e o falecido Marcelo Déda, que governou Sergipe.

De volta aos cofres públicos

Testemunha ativa dessa rede, Cerveró também recebeu muito dinheiro e, agora, terá de devolver. No acordo, ele se comprometeu a devolver R$ 18 milhões e mais de 10 mil ações da estatal. Cerveró deixará a cadeia, mas ficará em prisão domiciliar.

A amizade deu garantia a Delcídio de que poderia tentar salvar o delator das garras da Lava Jato. O plano mirabolante do ex-senador fez com que ele fosse preso e perdesse o mandato de senador.

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