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Janot pede prisão de Jucá, Renan e Sarney por tentativa de barrar Lava Jato

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O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP) e do senador Romero Jucá (PMDB-RR), do presidente da Câmara afastado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ao Supremo Tribunal Federal (STF) sob a acusação de terem tentado obstruir a operação Lava Jato, segundo reportagem do jornal O Globo nesta terça-feira.

Os pedidos de prisão têm como base conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e um filho dele no âmbito de acordos de delação premiada com as autoridades da Lava Jato, e estão nas mãos do ministro do STF Teori Zavascki, de acordo com o jornal.

O jornal afirma que a fonte da informação é um interlocutor de um ministro do STF, que não foi identificado. Segundo a fonte citada pelo jornal, Renan, Sarney e Jucá planejavam derrubar toda a Lava Jato, que investiga um esquema bilionário de corrupção que envolve principalmente a Petrobras, empreiteiras e políticos. Janot pediu prisão domiciliar de Sarney e que ele fique em casa com uma tornozeleira eletrônica.

As gravações feitas por Machado de conversas com seus ex-aliados do PMDB representam a maior crise até o momento do governo do presidente interino Michel Temer, que já perdeu dois ministros por conta do vazamentos dos áudios em menos de um mês de administração.

O senador Jucá perdeu o cargo de ministro do Planejamento ao ser flagrado supostamente sugerindo que uma troca no governo federal, com a saída da agora presidente afastada Dilma Rousseff, resultaria em pacto para frear os avanços da Lava Jato. Depois, Fabiano Silveira deixou o comando do Ministério da Transparência devido ao vazamento de declarações dele criticando a operação, em uma conversa com a presença de Renan.

Em sua delação, Machado também afirmou que pagou R$ 70 milhões em propina de contratos da Transpetro para Renan, Jucá e Sarney), entre outros líderes peemedebistas, segundo reportagens publicadas no fim de semana.

Os peemedebistas citados têm negado repetidamente qualquer irregularidade.

Defesa

Em nota, Renan criticou o pedido de Janto. "O presidente considera tal iniciativa, com o devido respeito, desarrazoada, desproporcional e abusiva", escreveu. "A Nação passa por um período delicado de sua história, que impõe a todos, especialmente aos homens públicos, serenidade, equilíbrio, bom-senso, responsabilidade e, sobretudo, respeito à Constituição Federal", competou.

O presidente do Senado reafirmou que "não praticou nenhum ato concreto que pudesse ser interpretado como suposta tentativa de obstrução à Justiça, já que nunca agiu, nem agiria, para evitar a aplicação da lei". Ele disse ainda que já prestou os esclarecimentos que lhe foram demandados e continua disposto a colaborar.

Também em nota, Jucá negou ter tentado obstruir investigações. "Considero absurdo o pedido tento em vista que tenho manifestado reiteradas vezes pelos órgãos de imprensa e em ações do cotidiano no sentido de fortalecer a investigação da operação Lava-Jato, assim como tenho cobrado celeridade da PGR, MPU e da justiça", escreveu.

Ele disse ter sido "vítima" da gravação de Machado e que está à disposição da Justiça para esclarecimentos. "Lamento este tipo de vazamento seletivo que expõe as pessoas sem nenhum tipo de contraditório. Esta prática não se coaduna com o regime democrático e de direito em que estamos vivendo", completou.

Cunha que não teve acesso ao pedido de Janot, mas acusou a ação de oportunismo. "Vejo com estranheza esse absurdo pedido, e divulgado no momento da votação no Conselho de Ética, visando a constranger parlamentares que defendem a minha absolvição e buscando influenciar no seu resultado", afirmou, em nota.


Com informações da Reuters

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