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Direto do túnel do tempo: Ministro de Temer AINDA acredita na guerra às drogas e na repressão aos usuários

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osmar terra maconha

Os Estados Unidos, principais interventores internacionais quando o assunto é drogas, já há anos começa a abrir a cabeça para novas medidas. A comercialização, legalização e venda da maconha já deixou de ser tabu em mais da metade dos estados. O vizinho do norte, sob o comando de Justin Trudeau, caminha para soluções semelhantes em pouco tempo.

Medidas que buscam uma mentalidade mais arejada começam a pipocar na América Latina, ainda que distantes do avanço uruguaio, que venderá maconha nas farmácias.

O México pensa na legalização da maconha. O Chile já tem um vasto plantio para o uso terapêutico da substância, com 6,9 mil pés da planta. A Colômbia, país que é um dos mais sofreu com a guerra às drogas, já mostra disposição a pensar diferente.

Pouco tempo atrás, a própria Organização das Nações Unidas (ONU) fez um painel internacional sobre o tema neste ano em que condena ações repressivas.

Em meio a tudo isso, ressurge aqui no Brasil um pensamento que vai na contramão das novas tendências. Um pensamento que nasce velho, retrógrado.

O ministro do Desenvolvimento Social do governo interino de Michel Temer, Osmar Terra, sempre foi um ferrenho defensor da manutenção da atual política de drogas quando parlamentar. Alçado ao andar de cima da República, agora ele ensaia novas investidas pela manutenção das drogas na ilegalidade.

Enquanto o ministro da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, indicou o coronel da Polícia Militar de São Paulo Roberto Allegretti para a Secretaria Nacional de Drogas, Osmar Terra decide substituir Rodrigo Delgado na pasta do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad).

Em fala ao jornal O Globo, Osmar Terra relaciona a flexibilização da legislação das drogas como o aumento no consumo.

Coisa que, basta ver algumas pesquisas internacionais, e vemos ser uma inverdade. Nos Estados Unidos e no Uruguai, o consumo entre os mais jovens caiu.

"O Brasil nunca fez uma guerra às drogas de forma séria, com controle de fronteiras, leis mais duras para o tráfico e ações educativas", diz Terra, ao Globo.

E tem mais:

"Tem de ter algum tipo de punição, senão ele (o usuário) vai consumir mais. É claro que existe o usuário recreativo, mas isso é loteria".

Aparentemente, o ministro do governo interino acordou no passado. A esperança é de que ele não torne a vida de muitos - os de sempre, negros e negras pobres - no pesadelo de uma perseguição ainda maior.

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