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Tia Eron: Deputada que pode dar voto decisivo para cassar Eduardo Cunha é admiradora dele

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TIA ERON
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Voto decisivo para cassação do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no Conselho de Ética nesta terça-feira (7), Tia Eron (PRB-BA) teve uma relação bastante próxima e cortês com o peemedebista ao longo de seu primeiro mandato como deputada federal.

A parlamentar apoiou Cunha na eleição para presidência em fevereiro de 2015. Na primeira sessão no Conselho de Ética, ela negou se arrepender de apoiá-lo. “É um presidente que fez essa Casa produzir como nunca, que limpou as gavetas de projetos que estavam parados, tem minha admiração e meu respeito”, disse.

Circulam nas redes sociais pelo menos duas fotos dos dois juntos. Em uma das imagens, ela entrega ao peemedebista um presente que trouxe do México após voltar de uma missão oficial, em setembro.

Hoje a tarde entregando ao presidente Eduardo Cunha um presente que trouxe da minha viagem ao México.

Uma foto publicada por Tia Eron - No ❤️ da Bahia (@tiaeron) em

Na outra foto, aparece em um jatinho, junto com Cunha e as também deputadas Soraya Santos (PMDB-RJ), Raquel Muniz (PSD-MG), Júlia Marinho (PSC-PA) e Jozi Araújo (PTN-AP) em viagem da bancada feminina para um evento da Fiesp.

Na eleição do comando dessa bancada, em março de 2015, Tia Eron foi uma das defensoras da atuação de Cunha na disputa. Ele foi o primeiro presidente da Câmara a interferir na escolha da composição, que passou a considerar os blocos e beneficiou o PMDB.

Deputada federal desde o ano passado, Tia Eron esteve presente em três missões oficiais para o exterior, todas autorizadas pelo presidente da Casa. Além de ter participado das Reuniões de Comissões do Parlamento Latino-Americano no México, integrou a comitiva da XXXI Assembleia Ordinária do Parlamento Latino-Americano em novembro.

Em março deste ano, viajou a Nova York para participar da 60ª sessão da Comissão da Condição Jurídica e Social da Mulher do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (UNCSW).

Entre os dias 13 e 18 daquele mês, participou na Universidade de Harvard de um curso de “Liderança Executivo em Desenvolvimento da Primeira Infância”. O curso foi autorizado por Cunha e pago pela cota parlamentar da daputada em três parcelas que juntas somam R$ 22.812,60.

Pressão

Desde que assumiu um assento no Conselho de Ética, em abril, em substituição ao deputado Fausto Pinato (PP-SP), a parlamentar tem sofrido pressão dos lados pró e contra Cunha. Ela não adiantou seu voto e tem dado declarações de que “sabe o que é certo” fazer e que preza pela “moralidade”.

Por meio da rede de petições Avaaz, mais de 17 mil mensagens de brasileiros foram enviadas incentivando a parlamentar a votar pela cassação de Cunha. Ela também foi alvo de um "telefonaço" na semana passada para selar o fim da era Cunha.

Uma pesquisa com membros baianos da Avaaz mostra que 96% querem que o Conselho casse o mandato de Cunha. Mais de 58% disseram que a maneira como a Tia Eron votar agora influenciaria o voto do cidadão nas próximas eleições.

É preciso que 11 dos 21 parlamentares do colegiado votem a favor do relatório de Marcos Rogério (DEM-RO), para que Cunha perca o mandato.

Se o parecer não for aprovado, as chances de o plenário reverter o resultado estão comprometidas devido a manobras de aliados do peemedebista.

Improbidade

Não é a primeira vez que a deputada Tia Eron (PRB-BA) está envolvida em controvérsias.

Em 2014, o Ministério Público da Bahia pediu o afastamento do então presidente da Câmara Municipal de Salvador, vereador Pedro Godinho (PMDB) e de outros vereadores, incluindo Tia Eron, sob acusação de improbidade administrativa.

No entendimento do MP, os parlamentares usaram uma “manobra ilegal” para aprovar itens do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano da Copa de 2014 depois que a tramitação desse projeto foi suspensa por ordem judicial.

A proposta aumentou a capacidade hoteleira da cidade e foi alvo de críticas de associações regionais de hotéis na época, por entenderem que serviria a interesses da construção civil e não da indústria hoteleira.

A ação civil pública tramita no Tribunal de Justiça da Bahia.

De acordo com a assessoria da deputada, “não se pode considerar que nem a deputada Tia Eron, nem qualquer outro vereador de Salvador incluído, seja réu nesta ação, já que esta própria inclusão requerida pelo Ministério Público ainda não foi decidida em definitivo”.

Trajetória

Técnica em Administração e estudante de Direito, a parlamentar ganhou o apelido na Escola Bíblica Infantil, na Bahia, durante a juventude. Desde criança, ela frequenta com a mãe a Igreja Universal do Reino de Deus. Lá fez sua base eleitoral.

Em 2000, foi eleita pelo PFL por 13 mil votos para vereadora na Câmara Municipal de Salvador. Ela repediu o feito pelo DEM em 2004 e em 2008. Em 2012, dessa vez no PRB, chegou ao quarto mandato no cargo. Entre 2012 e 2014, foi vice-líder do governo na Câmara de Salvador.

Na campanha para deputada federal em 2014, declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter arrecadado R$ 177.139,95, vindos de doações de pessoas físicas ou do partido. Na época o patrimônio oficial da parlamentare era de R$ 270.601,66. Em 2008, o valor declarado de patrimônio foi de R$ 92.745,55.

Mulheres

Durante a campanha “Meu primeiro assédio”, em novembro, a deputada contou ao jornal O Globo que foi vítima de assédio sexual quando atuou como vereadora na Bahia. Em seu relato, ela diz que um colega sugeriu que ela só conseguiria implementar uma comissão de direitos das mulheres se tivesse relações sexuais com ele.

Defensora de pautas ligadas aos direitos das mulheres, Tia Eron foi relatora na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara do PL 123/2007, que determina a realização pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de cirurgia plástica reparadora de sequelas de lesões causadas por atos de violência contra a mulher.

Ela também é relatora da PEC 205/2007, que fixa reserva de vagas para mulheres na Câmara dos Deputados e no Senado.

Coordenadora nacional do PRB igualdade racial e atuante no enfrentamento ao racismo, votou a favor da PEC 171/1993, que reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal.

LGBT

Com nome de batismo Eronildes Vasconcelos, Tia Eron é contra o uso do nome social por travestis e transexuais. Ela é uma das signatárias do Pedido de Decreto Legislativo (PDC) para sustar o decreto da presidente afastada Dilma Rousseff que reconhece os nomes sociais no serviço público.

"Cada vez mais o Estado brasileiro tem criado a imagem de um grupo de cidadãos privilegiados, sob sua permanente proteção, alvo de toda a atenção e dos direitos. Direitos esses que são financiados por toda a coletividade e garantidos por uma burocracia ideologicamente vinculada ao movimento LGBT", disse a deputada na tribuna.

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