Huffpost Brazil

Esta jornalista virou balconista e colocou em xeque preconceitos que ninguém vê

Publicado: Atualizado:
JOVEM BALCONISTA
Reprodução/Facebook Beatriz Franco
Imprimir

Um texto de uma jovem paulista está fazendo o maior sucesso nas redes por refletir um assunto delicado para muita gente: admitir seus próprios preconceitos.

Beatriz Franco é jornalista, fluente em inglês, tradutora e professora de línguas e estava desempregada há um tempo quando uma amiga ofereceu uma vaga de atendente em uma loja de doces. Beatriz hesitou em aceitar a proposta, o que acendeu uma auto-reflexão sobre as razões de não pegar o emprego.

"Foi aí que veio o primeiro julgamento: Eu, balconista? Jornalista, três idiomas, currículo em comunicação, trabalhando de touquinha na cabeça servindo os outros? Foi difícil tomar essa decisão, mas aceitei, estou precisando", admitiu Beatriz.

No texto, a profissional faz um relato sobre sua experiência em mudar de emprego e fala abertamente sobre o preconceito que ela nem imaginava ter. "Depois a barreira seguinte: conhecidos e colegas antigos entrarem na loja e me verem nessa função. 'O que eles vão pensar? Eles não sabem como cheguei até aqui, que a dona é minha amiga, vão pensar que não dei certo na vida''.

"Dá pra entender como isso é errado??? Era com essa inferioridade que eu via os outros atendentes, balconistas e nunca tinha percebido! Sentia vergonha por estar em um trabalho honesto, justo, que traz alegria para as pessoas, que auxilia os outros? Eu deveria é ter vergonha de mim por pensar assim, por tanta falta de humildade e empatia."

A decisão de virar balconista não foi fácil para Beatriz e ela decidiu escrever o texto para acabar com a vergonha que sentia de sua nova profissão. Segundo a jornalista, ela aceitou "novas formas de crescer e evoluir com, por enquanto, um preconceito a menos".

"Em tão pouco tempo, esse trabalho que eu achava tão inferior já me ajudou a estar mais feliz, disposta, a ter novas ideias, entender como uma pequena empresa funciona, a buscar cursos para aprender mais. (...) Hoje, estou aqui, jornalista, tradutora, professora de idiomas, aprendiz de gestora e sim, atendente de um ateliê de doces. E o que mais precisar, a gente aprende a fazer também! E, modéstia à parte, eu tbm (sic) fico linda de touquinha!"

A postagem feita no dia 5 de junho logo viralizou, com mais de 244 mil curtidas, 25 mil comentários e quase 35 mil compartilhamentos. Ela também recebeu milhares de mensagens de apoio e elogios pela iniciativa.

"Que ótimo texto, linda reflexão!", escreveu uma admiradora. "Uma verdade mais que real. Sei como é isso. Somos humanos e crescer é sempre ótimo,parabéns pela atitude!"

À BBC Brasil, Beatriz diz que a experiência ajudou a abrir os olhos sobre um preconceito velado e bem comum. "Achava que não tinha preconceitos. Mas me descobri preconceituosa. Pensava comigo mesma: 'Como eu, jornalista, trabalharia como atendente?' O que aconteceria se algum dos meus amigos me visse naquela situação", disse.

"Mas logo vi que não tinha mal nenhum em trabalhar como atendente. Feio é não ter dinheiro para pagar as contas."

LEIA MAIS:

- Morador de rua se emociona ao ganhar o primeiro bolo de aniversário

- Trigêmeos e coletores de lixo têm a amizade mais linda que você já viu

Também no HuffPost Brasil

Close
9 personagens que mostram como 'X-Men' é uma metáfora sobre preconceito
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção