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Com gastos de grife bancados por propina, Cláudia Cruz vira ré da Lava Jato

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O juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na Justiça do Paraná, aceitou a denúncia contra a esposa do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, a jornalista Cláudia Cruz. Dessa forma, ela se se torna ré nessa ação.

Na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, os procuradores afirmam que há indícios de que parte da propina desviada da Petrobras abasteceu contas no exterior em nome de off-shores e trusts (tipo de investimento) usados para pagar cartões de crédito usados por Cláudia.

Boa parte dos gastos refere-se a despesas luxuosas em viagens internacionais, diárias em hotéis de luxo e aquisições em lojas de grife.

Também se tornaram réus nesta ação o empresário português proprietário da CBH Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira, o ex-diretor a área internacional da estatal, Jorge Luiz Zelada e João Augusto Rezende Henriques, apontado como o operador de propinas do PMDB no esquema de corrupção.

Uma das filhas de Cunha e Claudia, Danielle Dytz , não foi denunciada, porém, segundo a força tarefa, ela ainda é investigada.

"Aparente inconsistência dos gastos efetuados a partir da conta com os rendimentos lícitos do casal, aliada ao afirmado desinterese dela em indagar a origem dos recursos, autorizam, pelo menos nessa fase preliminar de recebimento da denúncia, o reconhecimento de possível agir com dolo eventual ou com cegueira deliberada", escreveu Moro.

Caminho do dinheiro

Segundo a denúncia do MPF, o contrato de aquisição pela Petrobras dos direitos de participação na exploração de campo de petróleo na República do Benin, país africano, da CBH, teria envolvido o pagamento de propinas a Cunha de cerca de 1,3 milhão de franços suíços, correspondentes a cerca de US$ 1,5 milhão.

A propina teria sido paga por Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira, proprietário da empresa vendedora, e acertada com Zelada. O esquema teria sido intermediado por Henriques e paga mediante transferências em contas secretas no exterior.

Parte da propina teria sido destinada a contas no exterior em nome de off-shores ou trustes que alimentavam cartões de crédito internacional utilizados por Cláudia para aquisição de bens e para despesas pessoias dela.

Segundo investigações da Lava Jato, documentos da conta da offshore Köpek, na Suíça, apontam Claudia como titular controladora, inclusive com assinaturas e cópias de documentos pessoais e diversas descrições do perfil do cliente.

Na documentação, consta que a conta foi aberta exclusivamente para alimentar cartões de crédito e está vinculada às "contas mães" Orion e Triumph, off-shores que seriam igualmente controladas por Cunha.

Entre 25/03/2008 e 04/08/2014, a conta em nome da Köpek recebeu cerca de US$ 1,27 milhão de contas como as referidas Orion SP, Triumph SP e Netherton, de acordo com a denúncia.

O MPF identificou que os recursos da conta Köpek teriam sido utilizados, entre 20/01/2008 a 02/04/2015, para a realização despesas de cerca de US$ 1,08 milhão e 8,9 mil libras. Cerca de US$ 526,76 mil teriam sido gastos através de faturas dos cartões de crédito vinculado à conta.

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