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O fracasso é um elemento essencial do sucesso

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No mês passado um professor da Universidade Princeton divulgou pelo Twitter uma versão incomum de seu currículo, trazendo uma lista de todas as bolsas de pesquisas, os programas de estudos e as publicações para as quais foi rejeitado.

Professor adjunto de psicologia e assuntos públicos, Johannes Haushofer escreveu a seguinte explicação como prefácio à sua lista de fracassos e rejeições:

A maior parte das coisas às quais me candidato fracassam, mas esses fracassos muitas vezes são invisíveis, enquanto os êxitos são visíveis.

Observei que isso às vezes leva outros a terem a impressão de que as coisas dão certo para mim.

Com isso, as pessoas tendem mais a atribuir seus fracassos a elas mesmas, em vez de ao fato de o mundo ser estocástico, as candidaturas a empregos e bolsas serem uma questão de risco, e de juízes e comitês de seleção terem seus dias ruins.

Este “currículo de fracassos” é uma tentativa de mostrar as coisas em perspectiva.

É verdade que o fracasso é um elemento essencial do sucesso, como podem atestar muitos empreendedores, inventores e líderes. Mas nem por isso é mais fácil suportá-lo quando acontece.

Uma rejeição pode nos deixar deprimidos e nos fazer esquecer, pelo menos momentaneamente, que o fracasso pode ser uma ponte para uma vitória futura.

Entre psicólogos e especialistas em educação e criação de filhos, há um interesse novo em pesquisar como reagimos ao fracasso e como isso molda nossas conquistas eventuais.

Estudos mostram que não apenas a inteligência, mas também a garra podem ser indícios do sucesso acadêmico futuro de um estudante e que ter uma “mentalidade de crescimento” – ou seja, acreditar que somos capazes de aprender novas habilidades e expandir nossa inteligência – pode influir sobre nossas realizações.

Kyla Haimovitz, pesquisadora em psicologia da universidade Stanford, descobriu recentemente que a visão que as crianças pequenas têm de sua própria inteligência – especificamente, se elas acham que a inteligência é fixa desde o nascimento ou pode ser ampliada – pode ser moldada pela observação das reações de seus pais aos fracassos dos filhos.

O estudo mostrou que, se um pai ou mãe reagem negativamente ou com ansiedade a uma nota baixa do filho, em vez de ensinar ao filho que há algo a ser aprendido com isso, é mais provável que a criança pense que a inteligência é predeterminada e não pode ser modificada.

O perigo de comparar-se aos outros

Se você está se sentindo um perdedor depois de um esforço fracassado, deve ser porque está comparando sua lista de fracassos, que só você conhece, com a lista dos sucessos de outras pessoas, sobre os quais você só conhece parte da história.

Quando Haushofer primeiro decidiu listar seus fracassos acadêmicos, achou que alguns de seus amigos e colegas mais íntimos dariam risada, e nada mais. Em vez disso, sua lista de fracassos repercutiu junto a pessoas em todo o mundo. Ela foi noticiada pelo “Washington Post”, a CNBC, o “Guardian” e outros órgãos de mídia.

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Trecho do “Currículo de Fracassos” do professor universitário Johannes Haushofer. Trata-se de uma lista impressionante de programas acadêmicos de prestígio, bolsas de pesquisa e prêmios aos quais Haushofer se candidatou, mas que não recebeu.

A intenção de Haushofer, ao publicar seu currículo de fracassos, foi comentar sobre os altos e baixos da vida acadêmica.

Ela liga sua disposição de falar abertamente de seus fracassos pessoais a uma tendência mais ampla na ciência que incentiva pesquisadores a falarem mais abertamente sobre experimentos que fracassaram, resultados que não puderam ser reproduzidos, e compartilhamento de dados de modo geral.

“Muitas pessoas enfrentam grande pressão no mundo acadêmico, e pode ser útil ter que pensar em novas ferramentas para ajudar as pessoas a lidar com essa pressão”, disse Haushofer ao Huffington Post. “Minha esperança era que meu CV de fracassos desse algum senso de perspectiva a estudantes e outros pesquisadores jovens, especialmente em tempos em que as coisas são vão muito bem.”

Você deveria redigir seu próprio currículo de fracassos?

O projeto de Haushofer foi inspirado por Melanie Stefan, professora da Universidade de Edimburgo, e já inspirou outras pessoas a redigirem listas de seus próprios fracassos. Mas o sempre empírico Haushofer quer deixar claro que não existem evidências científicas, ao que ele saiba, que sugerem que isso faça bem a qualquer pessoa.

“É possível que mais abertura desse tipo tenha consequências positivas para o bem-estar psicológico”, ele concluiu. “É uma questão empírica que acho que merece ser estudada por alguém.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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