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‘A Tempestade', de Shakespeare, em versão 100% feminina e sem roupa: uma homenagem à liberdade de expressão

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encenação

As peças de Shakespeare expressam uma afinidade pela vestimenta expressiva. Em A Megera Domada, o bronco Petruchio tira a comida, o sono e as lindas roupas de sua noiva como punição por seu atrevimento, na esperança de mudar seus modos.

Em Noite de Reis e O Mercador de Veneza, as mulheres se disfarçam de homens para atingir seus objetivos.

Se as vestimentas estão entre os temas favoritos do poeta, o que pensar de uma produção totalmente sem roupa de uma de sua peças mais famosas, A Tempestade?

Segundo a codiretora Alice Mottola, que coordenou a montagem em maio no Central Park, em Nova York, a nudez homenageia a peça com temas como a liberdade de expressão e a igualdade entre as culturas.

Essa interpretação faz sentido; a peça, para os que não estão familiarizados, fala sobre uma tripulação aristocrática atingida por uma tempestade que os leva a uma ilha cheia de magia e habitantes isolados.

A companhia de teatro descreve a escolha estética deste modo em seu site:

Esta Tempestade foca no contraste entre as duras restrições da “civilização” — onde a manobra política derruba tronos e vidas — e Edenic, uma ilha tropical impregnada de magia na qual o feiticeiro Próspero e sua filha Miranda vivem em exílio há 12 anos.

O contraste será dramatizado não apenas através da performance e encenação, mas também através do uso criativo e integral do figurino, com as vítimas atormentadas e conspiradoras do naufrágio inicialmente forçadas a navegar pelo cenário da ilha em trajes apertados, que evocam a aristocracia europeia.

“O uso seletivo da nudez para dramatizar os temas centrais de alienação e reconciliação de A Tempestade, explica a empresa, “baseia-se em uma longa tradição de liberdade de expressão em produções teatrais realizadas em ambientes ao ar livre”.

Versões modernas das peças de Shakespeare não são raras. Suas histórias são frequentemente adaptadas para romantizações contemporâneas, a lista mais recente publicada pela Editora Hogarth, incluindo uma adaptação de A Tempestade, reescrita por Margaret Atwood, que confronta as ameaças representadas pelo aquecimento global.

Uma outra abordagem política recente da obra do "Bardo"— como Shakespeare também é chamado — envolveu uma produção 100% feminina de A Megera Domada, uma das “peças-problema” do dramaturgo, devido aos seus temas sem dúvida opressivos. A diretora, Rebecca Patterson, disse ao The Huffington Post:

“Não acho que [colocar mulheres no elenco] mude o sentido. O que isso faz é libertar a peça de uma política de gênero simplista para uma humanidade universal mais profunda”.

Confira abaixo a produção libertadora e sem roupas de A Tempestade, dirigida por Alice Mottola e Pitr Strait e coproduzida com o grupo Outdoor Co-ed Topless Pulp Fiction Appreciation Society, clube de leitura de Nova York que incentiva o topless:

  • ASSOCIATED PRESS
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Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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