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Governo Temer encomeda estudo para extinção da TV estatal

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GEDDEL TEMER
Marcos Corrêa / Vice Presidência da República
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Após ser alvo de polêmica ao trocar o presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a extinção da estatal é defendida por nomes fortes do governo interino de Michel Temer.

Tanto Geddel Vieira Lima, ministro-chefe da Secretaria de Governo, quanto Moreira Franco, secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) querem o fim da EBC.

Temer já recomendou um estudo para encerrar as atividades da emissora pública, de acordo com o jornal O Globo.

Geddel afirmou ao jornal que a EBC se transformou num "cabide de emprego" e "foco de militância" e que a proposta de extinção tem ganhado força no PMDB.

"A EBC é um símbolo de um governo ineficiente, do aparelhamento da gestão, de autopromoção. Para fazer propaganda, temos contratos com agências para fazer publicidade, que é outra coisa. Acabar com isso é um imperativo para que o novo governo se diferencie", afirmou Geddel.

Propostas

A EBC é subordinada à Casa Civil, comandada pelo ministro Eliseu Padilha, que determinou a elaboração de um levantamento sobre o custo real da estatal.

Uma das propostas seria a extinção da TV Brasil. Hoje, a estrutura de comunicação tem a NBr, que é a TV do governo, que transmite todas as cerimônias oficiais. A TV está dentro da EBC, que funciona como uma agência de notícias oficial.

Segundo a Folha de São Paulo, está em discussão estimular parcerias da EBC com outras TVs controladas por governos estaduais, como a TV Cultura, de São Paulo, hoje sob o comando do governador Geraldo Alckmin, do PSDB

Neste sábado, o tucano defendeu a extinção da EBC, que chamou "a TV do Lula", em referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Críticas

Para a presidente do Conselho Curador da EBC, a jornalista Rita Freire, é uma "temeridade" querer acabar com a estrutura de comunicação pública.

"É uma temeridade querer desmontar esse aparato público. É um discurso político conveniente para quem quer desmontar, barrar o aparato público de informação e deixar apenas a privada. Em dez dias de governo Temer, se tocou o terror alí dentro", afirmou ao Globo.

De acordo com Rita Freite, hoje 70% dos cargos da empresa precisam ser ocupados por concursados. A EBC tem cerca de 2.000 funcionários.

Demissão

O interino chegou a demitir o jornalista Ricardo Melo da presidência da EBC, nomeado pela presidente afastada Dilma Rousseff e a escalar o jornalista Laerte Rimoli para a presidência da empresa.

Uma liminar do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, contudo, reconduziu Melo ao cargo na semana passada.

Durante o período que esteve no comando da EBC, Rimoli demitiu funcionários supostamente ligados ao PT e extinguiu o termo “presidenta” usado na gestão da petista.

Na última quinta-feira, com Melo no comando de volta, a TV Brasil exibiu uma entrevista com a presidente afastada.

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