Huffpost Brazil

7 maneiras improváveis de dizer ‘eu te amo' todos os dias

Publicado: Atualizado:
UP
Divulgação
Imprimir

Junho é o mês do Dia dos Namorados, aquele dia em que o emoticon de coração é rei e o parcelamento do presente, em alguns casos, dura mais do que o próprio namoro.

Mas antes, durante e depois do Dia dos Namorados vem o amor, e ele não necessariamente implica um coração, um mimo postergado no cartão de crédito ou uma data no calendário nacional.

Em vez disso, o amor pode, simplesmente, ser presenteado com a realidade imperfeita – gratuita, acessível, sem frete algum e com delivery garantido em qualquer dia do ano!

Essa realidade pode ser fantástica dentro de cada simplicidade, cada atitude comum e ordinária.

De tanto a cultura idealizar os relacionamentos e cobrar deles a perfeição, muitos deles têm se esvaído como correnteza, tais quais os amores líquidos pensados pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman no seu livro Amor Líquido (Zahar, 2004).

Só que a correnteza só flui desenfreada se não houver alguma coisa que a faça desacelerar, pausar, fincar algumas gotas e até mesmo mudar de direção.

Relacionamentos amorosos são sim, muito difíceis. E talvez boa parte das desistências e desacordos venha da falsa noção de que eles sejam automáticos, de tirar de letra. Bem sabemos que, com o tempo, tampa e panela ganham uns amassadinhos.

Ao contrário do que somos levados a pensar, o amor é construção e, portanto, ajuste.

Já que o Dia dos Namorados vem aí e o “eu te amo” será provisoriamente uma tag mais ouvida e mencionada do que “suspeita de corrupção”, listamos algumas maneiras improváveis de se dizer "eu te amo" e cultivar o amor na convivência.

1. "Eu quero te conhecer."

Conhecer a pessoa que escolhemos para ficar ao nosso lado é mais revolucionário do que imaginamos, e nem um pouco automático.

Pois conhecer significa dar espaço para que enxerguemos a pessoa como ela é, e não o(a) parceiro(a) idealizado, quase um espelho nosso, que vai preencher todas as nossas idealizações.

“Uma grande armadilha é achar que o outro é exatamente como nós gostaríamos que fosse. É achar que o outro vem para nos mostrar a nossa própria imagem e, assim podermos amar (o que corresponde a nos amar). O grande pré-requisito para se apaixonar é a ignorância”, explica o psicanalista lacaniano e doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP Claudio Cesar Montoto.

Esse conhecer, portanto, independe do tempo em que se está junto da pessoa amada. Dá para conhecer o outro todos os dias.

Ao se conhecer o outro, se percebe as diferenças. Aí está o grande desafio do amor: lidar com elas e criar um vínculo a partir disso.

“Desejamos que o outro seja o mais parecido com a imagem que nós temos de nossa pessoa. Até somos empurrados pela cultura a não lidar bem com as diferenças, por isso o lema ‘somos todos iguais’.”

O problema para muitas pessoas é aceitar essa desidealização ao se descobrir que o outro é exatamente o que a palavra outro indica - alguém diferente.

Montoto lembra que uma reação comum nesses nossos tempos de imediatismo é pular fora. É o famoso “a fila anda”.

“O outro me decepciona (não me mostra a minha própria imagem e não serve como um espelho para me amar no outro).”

love

2. "Não entendi."

Se o outro é diferente de você, obviamente que muitas diferenças aparecerão no relacionamento.

E elas não indicam ruptura ou impossibilidade, especialmente se os desejos das pessoas envolvidas são negociados. A melhor negociação é escutar o outro, lembra Montoto:

“Hoje em dia, em qualquer vínculo, o grande desafio que se apresenta é conseguir escutar o outro separado do próprio narcisismo. O outro só aponta diferenças e quase ninguém quer lidar com as diferenças. Aquilo que para um pode ser causa de muito sofrimento, para o outro pode ser algo até superficial ou banal. O melhor é evitar juízos de valor e se abrir para a alteridade, para as diferenças. ”

Tudo bem não entender por que uma questão tem mais peso para um do que para o outro. Se o casal trata toda a situação com respeito, e tenta compreender que há dois pontos de vista transitando na situação, o que parecia uma grande diferença dá origem a um entendimento em comum.

3. "Tudo bem você perceber quão fraco(a) eu sou."

“Intimidade é uma m***a.” Quantas vezes isso não é falado?

Uma injustiça, isso que se diz da intimidade. Porque ela é quem permite que se entre, de fato, na vida de alguém, encontrando não só as melhores surpresas reservadas para a mais especial das pessoas como, também, o pior de cada um.

Com a intimidade, o amor pode se costurar em um tecido cheio de fraquezas, de um e do outro. Mostrar-se fraco(a), vulnerável e limitado(a) é um generoso caminho para que aceitemos que não somos a última bolacha do pacote e, portanto, estamos em permanente construção, com grandes chances de melhoria nas obras.

love partners


4. "Eu errei."

Amor é ajuste, ou seja, cabe o erro tanto quanto cabe o acerto, e essas duas situações são dinâmicas. Aprender é o melhor encontro delas.

Dizer que errou é uma maneira de reconhecer os próprios defeitos e de abrir espaço para algo que pode ser corrigido.

E por falar em defeitos...

5. "Eu tenho defeitos. Muitos."

Parece bonito de se dizer, mas é difícil de se praticar. Somos imperfeitos. Portanto, as falhas são tão nossas quanto nossas características admiráveis.

Mas no meio do caminho entre a vida idealizada e a vida à queima-roupa, os defeitos ficam parados na alfândega do próprio país, tentando invadir um espaço que era deles por natureza.

É por isso que maquiar a si mesmo, tentando ignorar tais defeitos, é ineficiente e, também, impede que o outro te conheça profundamente – e te ame por todo o conjunto da obra.

A escritora Krysti Wilkinson tem um palpite sobre a geração atual:

“Queremos conservar o que é feio escondidinho, ocultar as imperfeições com um filtro do Instagram, escolher outro episódio no Netflix no lugar de uma conversa de verdade. Gostamos da ideia de amar uma pessoa apesar de seus defeitos - mas guardamos nossos próprios defeitos muito bem escondidos, preferindo que nunca sejam mostrados à luz do dia.”

love partners

6. "Fico aqui com você."

O companheirismo é uma generosa maneira de praticar o amor. E ele não tem a ver com se anular, ou viver a vida do outro.

Companheirismo é oferecer ao outro a companhia em um mundo que não é o seu, mas do qual você tem interesse em se aproximar pelo simples fato de querer ficar perto da pessoa amada. Ele vai além das afinidades e implica o respeito pelo outro.

7. "Quero construir minha história com você."

É comum associar o amor ao destino, mas a gente bem sabe que um e dois só viram amor se depender de um e do outro. Nessas horas, o destino tá de folga, dando rolê por aí. Na hora da briga e da separação, então, o destino está beeeeem longe.

O amor, portanto, tá nas nossas mãos, e depende do nosso esforço e dedicação. O amor encomendado pelo destino cai muito bem no cinema, na música, na literatura, no seriado e na novela, mas não aguenta a vida real porque coloca no destino a responsabilidade de se cultivar o relacionamento.

“Muitos veículos da cultura romantizaram a versão de que o amor permite a completude e que é uma questão de tempo.... que não precisa de reflexão nem experiência, que a vida já tem reservada a pessoa ideal em algum lugar (quase sempre por perto, que não precise se deslocar muito para achar a tampa da panela...rsrsrs).”

LEIA MAIS:

- Somos a geração que não quer relacionamentos

- O cinema e a literatura podem dar aquela valorizada nas nossas vidas comuns

Também no HuffPost Brasil

Close
Lições de amor dos avós
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção