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Foi homofobia, sim! Massacre em Orlando mistura ódio e fácil acesso às armas

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ORLANDO
David McNew / Reuters
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Foi homofobia sim. Além de um ataque terrorista, perpetrado por um atirador que conhecemos como um "lobo solitário", o atentado em Orlando, ocorrido na madrugada do último domingo (12) foi um ato de homofobia - fomentado por ideias extremistas e por uma política de fácil acesso às armas nos EUA.

Pré-candidato à presidência dos EUA, Donald Trump, mais uma vez, não entendeu nada. Nesta segunda-feira (13), o magnata afirmou que os EUA precisam aumentar sua resposta militar contra o Estado Islâmico.

Pai do atirador, identificado como Omar Mateen, afirmou que seu filho não cometeu o ataque motivado por religião, mas comentou que observou uma mudança de comportamento do homem de 29 anos, que ficou "muito irritado" ao ver dois homens se beijando em Miami, há alguns meses.

"Estamos em choque", disse Mir Seddique, afirmando ainda que a família "pede desculpas pelo incidente". O ataque deixou 49 vítimas fatais e mais de 50 feridos. Mateen foi morto pela polícia após horas de negociação com a polícia dentro da boate Pulse, frequentada pelo público LGBT. De acordo com informações da Rede Globo, a polícia invadiu a boate com granadas de efeito moral e matou o atirador.

"Nós não estávamos cientes de nenhuma ação que ele estava tomando. Estamos em choque como o país todo. Isso não tem nada a ver com religião".

Sua ex-mulher, Sitora Yusufiy, o descreveu como "bipolar", emocionalmente perturbado e de temperamento violento. Ela disse que Mateen a batia e abusava fisicamente de outras maneiras durante rompantes nos quais "expressava ódio de tudo". Ela foi "resgatada" por familiares após quatro meses de um casamento que começou em 2009 e terminou em divórcio, afirmou ela.

Em Fort Pierce, localizada na costa sudeste da Flórida, a 195 quilômetros do local do ataque, o imã da mesquita que Mateen frequentou durante quase dez anos o descreveu como um fiel constante e tranquilo, que interagia raramente com a congregação.

"Ele mal tinha amigos", afirmou Syed Shafeeq Rahman, que comanda o Centro Islâmico de Fort Pierce, à Reuters. "Ele vinha com o filho pequeno à noite para rezar e depois ia embora"

O congressista democrata Alan Grayson disse que é mais provável que o ataque tenha motivos ideológicos.

orlando

Ou seja, um gravíssimo caso de homofobia e de intolerância com imigrantes.

"É muito mais provável que que foi um ataque por motivos ideológicos. Não é uma coincidência que tenha ocorrido onde ocorreu [em uma boate gay], no dia em que ocorreu [aquela era uma noite latina]."

Oficialmente, autoridades ainda investigam as razões do massacre - o maior com armas de fogo na história dos EUA. Embora o Estado Islâmico tenha reivindicado responsabilidade pelo massacre, a polícia ainda não encontrou ligações oficiais de Mateen com o grupo - que há poucos dias incitou seus seguidores a cometerem ataques nos EUA e na Europa durante o mês do Ramadã.

"Um dos soldados do califado na América realizou uma invasão de segurança onde conseguiu entrar em um encontro cruzado em uma casa noturna para homossexuais em Orlando, Flórida... onde ele matou e feriu mais de uma centena antes de ser morto", informou o grupo em uma transmissão oficial na rádio Albayan.

Especialistas em Relações Internacionais apontam que o autor do massacre pode ser um "lobo solitário": Mateen agiu sozinho e, provavelmente, não possuía nenhuma ligação operacional com o Estado Islâmico, apenas uma identificação ideológica.

"A motivação de Mateen foi homofóbica, e isso se insere em uma ideologia mais ampla do Estado Islâmico. No caso dos Estados Unidos, a tendência não são mais atentados espetaculares como o Onze de Setembro, mas sim incidentes "menores", que também causam pânico: esse é o novo 'normal'", afirma o professor de Segurança Internacional Bernardo Wahl.

A Polícia Federal dos EUA (FBI) interrogou Mateen por ter suspeitado de elos seus como militantes islâmicos. A primeira investigação aconteceu em 2013, quando Mateen fez comentários inflamados a colegas de trabalho que indicavam uma simpatia por militantes, disse o agente especial do FBI a cargo do inquérito, Ron Hopper, em uma coletiva de imprensa em Orlando.

Na ocasião, Mateen trabalhava como segurança na G4S, multinacional britânica que é uma das maiores do mundo no setor de segurança privada. Ele entrou na G4S em setembro de 2007, portava uma arma no exercício de suas funções e estava empregado como segurança no momento do ataque, informou a empresa. A G4S é responsável pela proteção de edifícios federais na Flórida.

Mateen foi investigado e entrevistado duas vezes, mas o FBI foi "incapaz de verificar a substância de seus comentários", explicou Hopper.

Mesmo assim, ele foi capaz de comprar as armas com as quais matou 49 pessoas - um revólver e um fuzil semiautomático AR-15 - legalmente e sem dificuldades na Flórida.

Um banco de dados do estado da Flórida informou que Mateen tinha duas licenças de armas de fogo e uma licença de agente de segurança. As licenças iriam expirar em setembro de 2017.

No domingo (12), um consternado Barack Obama discursou pela 13ª vez sobre tiroteios em massa em pouco menos oito anos de governo.

"O atirador mirou um local onde as pessoas se reúnem para ficar entre amigos, para dançar e cantar e para viver. O lugar onde eles foram atacados é mais do que uma boate, é um lugar de empoderamento onde as pessoas vão juntas para expor suas ideias, serem reconhecidas e defenderem seus direitos civis".

O presidente também chamou o tiroteio de um novo lembrete de "como é fácil alguém colocar as mãos em uma arma que lhes permite atirar em pessoas em uma escola, em uma casa de culto, um cinema ou em uma boate", referindo-se a outros assassinatos em massa que têm pontuado a história recente dos EUA. "Temos de decidir se esse é o tipo de país que querermos ser"

Como bem disse Obama, não fazer nada também é uma decisão.

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