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Com uma sumida Tia Eron, PRB dará voto para decidir destino de Eduardo Cunha

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CUNHA E TIA ERON
Montagem/Câmara/Facebook
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Após mais de oito meses, o Conselho de Ética vota nesta terça-feira (14) a cassação do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O voto decisivo será o da deputada Tia Eron (PRB-BA), que assumiu a vaga no colegiado após o PRB pressionar pela saída do deputado paulista Fausto Pinato, após ele trocar o partido pelo DEM.

Primeiro relator do processo contra o peemedebista, Pinato era voto certo pela cassação. Já Tia Eron tem adotado um discurso em cima do muro e evitado a imprensa.

Integrante da Bancada Evangélica, ela elogiou a atuação de Cunha como presidente, mas disse que votará pela moralidade.

O relator, deputado Marcos Rogério (DEM-RO), está confiante. "Ela falou que não vai decepcionar o Brasil e que irá votar com as provas", afirmou ao HuffPost Brasil.

Em seu parecer, Rogério crava que Cunha mentiu à CPI e diz que é “cristalina” a violação do Código de Ética da Casa.

"Quem tem de formar voto já formou. Quem não votar comigo o fará pela política e não por ausência de provas. As provas são evidentes. Elas gritam", afirmou o deputado.

Opositores de Cunha cogitam apresentar na sessão desta terça um aditamento com novas provas contra o peemedebista. Isso adiaria a votação do parecer porque implicaria uma nova análise de Rogério.

Entre os novos fatos estão: a terceira denúncia apresentada contra ele pelo Ministério Público Federal; a autorização do ministro Teori Zavaski, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a votação da segunda denúncia (sobre as contas na Suíça); e o fato de a esposa do deputado, a jornalista Cláudia Cruz, ter se tornado ré na última quinta-feira.

Nesta segunda-feira, o Ministério Público pediu ainda o fim dos direitos políticos de Cunha por dez anos e a devolução de R$ 20 milhões obtidos por enriquecimento ilícito.

Réu por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava Jato, Cunha é acusado de mentir à CPI da Petrobras ao negar ter contas no exterior. As transações foram comprovadas pelos investigadores.

Cassação

Para que o parecer do deputado Marcos Rogério seja aprovado, são necessários 11 dos 21 votos do Conselho de Ética da Câmara. Como dez se declararam pró-Cunha e nove contra, se Tia Eron votar contra o peemedebista, caberá ao presidente do colegiado, deputado José Carlos Araújo (PR-BA) dar o voto de minerva. Ele é a favor da cassação.

Pré candidatos do PRB a prefeitura de São Paulo e do Rio, respectivamente, Celso Russomano e Marcelo Crivella, se declararam contra Cunha, mas disseram que o voto de Tia Eron é independente da posição do partido, em uma tentativa de se descolar da imagem dela, caso ela salve o peemedebista.

Na semana passada, o presidente da legenda e ministro do Desenvolvimento, Marcos Pereira, se encontrou com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que nega ter tratado de Cunha.

O entendimento é que o resultado no Conselho de Ética vai se refletir no plenário. Se o voto pela cassação for aprovado, ele irá para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde terá prazo de cinco dias para a apresentação de recursos.

Cunha já afirmou que irá contestar aspectos formais, como a atuação do relator e prazos para manifestações da defesa.

Caso não haja impedimentos, o texto segue para o plenário, onde precisa de 257 votos, em votação aberta. "O centrão e o governo não vão salvá-lo no plenário. Vão deixar Eduardo Cunha se afogar só", afirmou ao HuffPost Brasil o deputado Betinho Gomes (PSDB-PE). O centrão conta hoje com cerca de 200 deputados.

Apesar de Cunha ainda manter influência no mundo político, alguns parlamentares têm se afastado dele, de olho na pressão popular com a aproximação das eleições municipais.

O deputado Manoel Júnior (PMDB-PB), pré-candidato a prefeito em João Pessoa, por exemplo, renunciou à vaga no Conselho de Ética. Um dos defensores mais atuantes do peemedebista, foi autor da questão de ordem que levou à troca do relator.

Anistia

Caso o parecer de Rogério não seja aprovado, será votado um relatório alternativo. Na última semana, o deputado João Carlos Bacelar (PR-BA) apresentou um voto em separado em que propõe a suspensão de três meses do mandato. Como Cunha está afastado desde 5 de maio, após decisão unânime do Supremo, a medida não tem efeito prático.

Caso a punição mais leve seja aprovada, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) irá tentar convencer Cunha a renunciar ao mandato. "Vou conversar com ele sem ter qualquer visão do que ele decidirá", afirmou ao HuffPost Brasil. O presidente afastado continua a negar a possibilidade de renúncia.

A estratégia dos aliados do presidente afastado conta também com uma consulta à CCJ. Na reunião marcada para esta terça-feira pode ser apreciado o parecer do deputado Arthur Lira (PP-AL) que tenta evitar a cassação no plenário.

Em resposta a uma consulta encaminhada pelo deputado Waldir Maranhão (PP-MA), em nome da Mesa, Lira determinou que podem ser apresentadas emendas ao projeto de resolução feito a partir do parecer de Rogério a fim de abrandar a pena.

Caso seja votado o parecer de Bacelar, não cabem emendas prejudiciais a Cunha nem a votação da representação original, pela cassação.

Tanto o PSDB quanto o PSOL tentarão aprovar um parecer alternativo na CCJ, que não beneficie o peemedebista.

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