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Autor de massacre frequentava boate Pulse, dizem testemunhas

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OMAR MATEEN
ASSOCIATED PRESS
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Responsável pela morte de 49 pessoas e por deixar mais de 50 feridas durante um ataque a uma boate LGBT em Orlando, Omar Mateen era visto "com frequência" na boate Pulse, palco do maior massacre com armas de fogo da história dos EUA.

"Algumas vezes ele aparecia lá durante semanas seguidas, de repente apenas aos fins de semana, e daí passava um tempo sem aparecer, depois ia novamente" contou um frequentador da boate à ABC News.

Segundo a emissora, empregados da Pulse também reconheceram Mateen como frequentador do local. Um dos seguranças chegou a dizer que já havia chamado a atenção do homem várias vezes por conta do seu mau comportamento na boate.

Mateen também costumava contar aos frequentadores da Pulse que era casado e tinha um filho de três anos, segundo relato publicado no Orlando Sentinel. De acordo com oficiais ouvidos pelo USA Today, a investigação acredita que o atirador escolheu e estudou o alvo do massacre cuidadosamente.

De acordo com informações publicadas pelo Los Angeles Times, Mateen também usava aplicativos de encontros voltados para o público LGBT.

Kavin West, que frequenta a Pulse regularmente, contou ao jornal que trocou mensagens com o homem por um ano pelo app Jack'd. Ele chegou a ver o atirador na madrugada de domingo (12) em frente ao local. Assim que soube do atentado, ele prestou depoimento às autoridades do FBI.

West contou ainda que em sua primeira conversa com Mateen, ele parecia interessado em saber quais eram os melhores lugares para ir. "Ele me perguntou quais clubes estavam na moda naquela época".

Em entrevista ao SBT, o marido de Sitora Yusifiy, ex-mulher do atirador, contou que ela disse ao FBI que o ex-marido tinha tendências homossexuais" e que o pai dele o "chamava de gay".

Também estão sendo periciados aparelhos eletrônicos do atirador. Até agora, segundo agentes envolvidos na investigação, nada que prove ligações com grupos terroristas no Oriente Médio foi encontrado.

Na segunda-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, classificou Mateen, cidadão norte-americano de 29 anos e filho de imigrantes afegãos, como um exemplo aparente de "extremismo cultivado em casa". Provavelmente, a motivação para o ataque veio de vídeos encontrados na internet.

Durante a matança, Mateen fez uma séria de chamadas para o número 911, o canal de emergência nos EUA, durante as quais jurou lealdade ao líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, cujo grupo ocupa vastas porções do Iraque e da Síria.

Ele também declarou solidariedade aos irmãos chechenos étnicos que realizaram o ataque com bombas na Maratona de Boston de 2013 e a um palestino-norte-americano que se tornou um homem-bomba na Síria para a Frente Al-Nusra, uma ramificação da Al Qaeda, disseram as autoridades.

Mateen foi interrogado pela Polícia Federal dos EUA (FBI, na sigla em inglês) em 2013 depois que colegas de trabalho relataram que ele teria alegado ter conexões familiares com a Al Qaeda e ser membro da militância libanesa Hezbollah, de acordo com o FBI.

Frio e Calculista

De acordo com informações da polícia divulgadas pelo USA Today, Mateen se manteve "frio e calmo" durante as negociações com a polícia - que duraram horas até que os reféns fossem liberados e o atirador morto.

Marcus Godden, um dos sobreviventes do ataque, contou ao The Indepentent que fingiu estar morto para escapar da matança.

"Ele tinha um sorriso sórdido no rosto"
, contou Godden à Folha de S.Paulo.

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