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Investigado por agredir a ex-esposa, Pedro Paulo intimida críticos na internet

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PEDRO PAULO SECRETRIO
Reprodução/Facebook
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Pré-candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, Pedro Paulo (PMDB) tem intimidado críticos a ele nas redes sociais, de acordo com denúncia feita pela Rede Meu Rio, um grupo de mais de 200 mil pessoas que se declara apartidário.

“Qualquer pessoa que comente no Facebook ou Instagram de Pedro sobre a violência que ele cometeu contra a ex-mulher, recebe uma mensagem ameaçando um processo”, diz a entidade.

Em sua página no Facebook, não há comentários negativos sobre o deputado federal licenciado. De acordo com o jornal Extra, uma das mensagens dizia “Ou o senhor (a) prova o que disse ou retira seu comentário, se retratando”.

O peemedebista é acusado de agredir a ex-esposa, a turismóloga Alexandra Mendes Marcondes entre 2008 e 2010. Ele admitiu o crime em novembro do ano passado, mas tratou o episódio como uma “briga de casal” e disse que não se enquadrava na Lei Maria da Penha.

A Rede Meu Rio criou a campanha #‎meprocessapedropaulo para denunciar a atuação dos assessores do peemedebista. De aoordo com o Extra, Pedro Paulo afimrou que os avisos são enviados em cumprimento às regras de uso de sua página, que preveem desde a exclusão de comentários a abertura de processo judicial, em caso de falsas acusações graves.

"Violência contra a mulher não é assunto familiar, nem de política partidária: é uma questão pública. No ano passado, pelo menos 56 mil mulheres cariocas foram vítimas de lesão corporal dolosa. A pré-candidatura de Pedro Paulo à prefeitura do Rio é preocupante - não podemos ter um prefeito que naturaliza a violência contra a mulher. Se qualquer outro pré-candidato tiver a mesma postura, agiremos também", diz a campanha da Rede Meu Rio.

A candidatura de Pedro Paulo foi anunciada em 31 de maio, quando se afastou do cargo de secretário Executivo do Governo do Rio. Ele tem apoio do atual prefeito carioca, Eduardo Paes (PMDB).

Histórico

Os registros de agressão apontam que Pedro Paulo deu socos no rosto e corpo da ex-mulher. Há também relatos de ofensas verbais a Alexandra, com xingamentos de “vagabunda” e “piranha”, entre outros.

A acusação, acompanhada de laudo pericial do Instituto Médico Legal, foi registrada na Delegacia da Mulher em Jacarepaguá e, segundo informações do Extra, ficou cinco anos parado: a polícia nem chegou a ouvir o secretário.

As agressões de 2010 teriam sido motivadas por uma traição de Pedro Paulo. Após a divulgação da história, a ex-esposa minimizou o caso em entrevista à imprensa.

Em fevereiro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de abertura de inquérito para investigar o secretário por lesão corporal, que foi autorizado pelo minitro Luiz Fux.

Na defesa entregue à PGR, Pedro Paulo diz ter sido vítima da ex-esposa. Ele encaminhou um vídeo em que Alexandra diz que as agressões partiram dela. Há também um lado em que a defesa que contradiz as conclusões da Polícia Civil do Rio.

Em 3 de junho, o delegado da Polícia Federal de Brasília Luciano Soares Leiro encaminhou um relatório à PGR pela "não continuidade" da investigação. Ele cita o laudo do médico perito Roger Ancilloti, contratado por Pedro Paulo para confrontar o laudo feito pela polícia.

"Os laudos apresentados das perícias realizadas à época dos fatos como foram analisadas por diferentes peritos da época, sem o acesso do outro agressor/vítima não possibilitam, com a certeza devida, constatar como os fatos ocorreram", diz um trecho do relatório do delegado.

Cabe ao ministro Fux decidir se a investigação prosseguirá ou será arquivada após a manifestação do delegado.

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