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Sai a pedra e entra o trabalho: Em São Paulo, 65% dizem ter reduzido uso de crack após Braços Abertos

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braços abertos

Sai a intervenção policial, as internações compulsórias e entram as oportunidades. Menos pedras e mais trabalho.

Um relatório divulgado nesta quarta-feira revela que 65% dos 467 beneficiários (36% de mulheres e 64% de homens) do De Braços Abertos diminuíram o uso de crack na região da Luz, que acabou conhecida como Cracolândia.

Lançado em janeiro de 2014, o programa de redução de danos da prefeitura de São Paulo oferece um quarto de hotel, três refeições diárias e trabalho de varrição de vias para usuários de crack. São pagos R$ 15 por dia trabalhado aos dependentes químicos do bairro.

A ideia central do programa não é exigir abstinência dos usuários, mas passar a dar alternativas - como o trabalho e o lazer - para que os usuários se ressocializem e, consequentemente, diminuam o uso de entorpecentes.

A pesquisa que foi feita durante o ano passado contou com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), o Laboratório de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos da Unicamp, além da parceria entre o Open Society Foundations, baseada em Nova York, e o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM).

"É uma grande vitória dos movimentos sociais e das lutas antiproibicionistas", conta Taniele Cristina Rui, mestre e doutora em antropologia social da Unicamp, durante a apresentação do projeto.

O levantamento mostra que 95% dos participantes da iniciativa consideram positivo ou muito positivo e temem que seja encerrado em uma próxima gestão.

Perfil
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Os participantes do projeto, em sua maioria, têm baixa escolaridade, já estiveram presos alguma vez ou cumpriram medida socioeducativa quando mais jovens e já passaram por algum tipo de tratamento antidrogas antes do De Braços Abertos e têm filhos. Boa parte tem sintomas de depressão e ansiedade.

Também são, em sua maioria, negros. A frequência de doenças como Aids e tuberculose é mais alta entre eles do no restante da população.

Hotéis 'péssimos' e medo
36% dos usuários de crack beneficiários do "Programa de Braços Abertos" reclamam dos hotéis oferecidos a eles. Eles consideraram “ruins ou péssimos” as hospedagens oferecidas como moradia pela gestão municipal.

Há também medo de perder o programa - por eleições ou qualquer outra medida - e também falta comunicação direta com os beneficiários. "Ninguém nunca me explicou o que é o projeto. Ninguém nunca sentou para conversar comigo", contou Taniele..

Metade dos entrevistados definiram a relação com a polícia como “péssima”. O contato negativo com a Guarda Civil Metropolitana (GCM), de responsabilidade da própria Prefeitura, é o principal medo dos beneficiários do Braços Abertos.

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