Huffpost Brazil

Abandonado por aliados e pelo Planalto, Cunha deverá perder mandato

Publicado: Atualizado:
EDUARDO CUNHA
ASSOCIATED PRESS
Imprimir

Após a derrota no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, a cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente afastado da Casa, ganha força também no plenário. Com perda de apoio de aliados, a expectativa mais otimista é que o processo seja concluído em julho.

Após oito meses de discussão e manobras protelatórias que tornaram o caso o mais longo da história do Conselho, o colegiado aprovou nesta terça-feira, por 11 votos a nove, o relatório do deputado Marcos Rogério (DEM-RO), pela cassação do peemedebista.

O placar foi visto por aliados de Cunha como supreeendente e como uma prova de enfraquecimento, mas há tentativas de reverter o resultado pela frente. “Foi grave e foi inesperado”, afirmou ao HuffPost Brasil o deputado Carlos Marun (PMDB-MS). Ele não quis opinar, contudo, sobre possíveis mudanças.

Para um deputado próximo ao presidente afastado, o cenário é desfavorável para Cunha tanto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) quanto no plenário, onde precisa de 257 votos, em votação aberta.

Ele avalia que passou do momento do peemedebista barganhar para conseguir evitar a cassação.No Palácio do Planalto, o entendimento é de não se esforçar para salvar Cunha, a fim de descolar a imagem do governo interino de Michel Temer.

Recursos

O advogado de Cunha, Marcelo Nobre, irá a presentar um recurso à CCJ alegando que não foi comprovada a existência de contas do deputado na Suíça. Nobre avalia também questionar aspectos formais, como a votação nominal do relatório.

“A defesa entende que houve uma condenação sem existência de prova no cerne da controvérsia da impugnação do Conselho de Ética que é a mentira e ele não mentiu. Condenação sem prova é linchamento”, afirmou.

Réu por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava Jato, Cunha é acusado de mentir à CPI da Petrobras ao negar ter contas no exterior.

Em nota, o presidente afastado disse que o "processo foi todo conduzido com parcialidade, com nulidades gritantes" e que questionará a escolha de Rogério como relator, por pertencer ao mesmo bloco de seu partido.

Ele reforçou ainda que não possui contas secretas no exterior. "Repito: sou inocente da acusação a mim imputada pelo parecer do Conselho de Ética", disse.

Após o Conselho publicar a decisão de terça-feira no Diário Oficial da Câmara, a defesa tem cinco dias úteis para recorrer à CCJ, que também tem cinco dias para deliberar. Não há prazo para a publicação do Conselho, mas ela só deve acontecer a partir quinta-feira.

Caso o recurso não passe na CCJ, o relatório de Rogério vai para plenário. É preciso que o presidente em exercício da Câmara, no caso, Waldir Maranhão (PP-MA), leia o texto no expediente do dia, para o que não há prazo. Uma vez lido, o parecer entra na pauta em até duas sessões.

Outra estratégia de Cunha para mudar o placar, é o parecer do deputado Arthur Lira (PP-AL) pendente na CCJ. Ele determina, entre outros pontos, que possam ser apresentadas emendas favoráveis ao peemedebista em plenário. A votação deste texto foi adiada nesta terça-feira.

Na avaliação do deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), o resultado no Conselho dá uma sinalização positiva, mas ainda é preciso pressionar tanto na CCJ quanto Maranhão, para não protelar o processo.

"Eu ainda acredito em manobras. Eles vão tentar usar a consulta e outros recusos para livrá-los da cassação. Mas hoje o resutado mostra que ele perde força e que a Justiça começa a ser feita aqui na Câmara. O Conselho de Ética mostra para o Brasil que não está disposto a oferecer seu nome para cometer injustiças ou garantir impunidade."

LEIA TAMBÉM

- Eduardo Cunha diz que vai entrar com recurso contra decisão do Conselho de Ética de cassá-lo

- Guarde esta lista: Estes deputados votaram para NÃO cassar Eduardo Cunha

- Após oito meses, Conselho de Ética da Câmara aprova cassação de Cunha

Também no HuffPost Brasil:

Close
Os defensores de Eduardo Cunha
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção