Huffpost Brazil

Temer acertou R$ 1,5 milhão em propina para campanha de Chalita, diz delator

Publicado: Atualizado:
MICHEL TEMER
Brazilian acting President Michel Temer gestures during a ceremony of the presentation of credentials of Ambassadors at Planalto Palace in Brasilia on May 25, 2016. / AFP / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images) | EVARISTO SA via Getty Images
Imprimir

Delator da Lava Jato, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado afirmou que o presidente interino Michel Temer negociou com ele o repasse de R$ 1,5 milhão de propina para a campanha de Gabriel Chalita, então candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, em 2012, de acordo com informações do jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com o delator, o repasse foi feito em setembro daquele ano por meio de doação eleitoral pela empreiteira Queiroz Galvão, contratada da Transpetro. A conversa teria ocorrido numa sala reservada da base aérea.

"Michel Temer então disse que estava com problema no financiamento da candidatura do Chalita e perguntou se o depoente poderia ajudar; então o depoente disse que faria um repasse através de uma doação oficial", diz o documento de sua delação.

As falas de Machado são uma explicação do delator sobre um diálogo gravado com o ex-presidente José Sarney sobre o tema.

Trecho da conversa revelada pela Folha:

Machado: Você acha que a gente consegue emplacar o Michel sem uma articulação do jeito que esta...
Sarney: Não. Sem articulação, não. Vou ver o que acontecendo, vou no Michel hoje...

Machado revela que contribuiu com Temer, ajudando na campanha do "menino", que para os investigadores é Chalita.

Machado: O Michel presidente... lhe dizer... eu contribuí pro Michel.
Sarney: Hum.
Machado: Eu contribuí pro Michel... Não quero nem que o senhor comente com o Renan (Calheiros, presidente do Senado)... Eu contribuí pro Michel para a candidatura do menino... Falei com ele até num lugar inapropriado, que foi na base aérea.
Sarney: Mas alguém sabe que você me ajudou?
Machado: Não, sabe não. Ninguém sabe, presidente.

Demais repasses

Machado também revelou que Renan Calheiros (PMDB-AL), e o senador Romero Jucá (PMDB-RR) receberam dinheiro desviado de estatais durante anos.

Os repasses para Renan teriam começado entre 2004 e 2005, após o senador dizer a Machado que precisava reforçar suas bases políticas. Segundo o delator, foram feitos repasses mensais de R$ 300 mil, durante dez ou 11 meses a cada ano.

O presidente do Senado teria recebido R$ 32 milhões em propina, em dinheiro em espécie e doações oficiais de empresas como Camargo Correa, Galvão Engenharia e Queiroz Galvão. Machado disse ainda que em 2007 chegou a ter atritos com Renan, que queria mais recursos.

Também foram citados na delação de machado político do PT, PP, DEM, PSDB e PSB, além do PMDB, que teria arrecadado R$ 100 milhões.

Estão na lista o deputado Heráclito Fortes (PSB-PI), o ex-senador Sérgio Guerra (PSDB-PE, morto em 2014), o senador José Agripino Maia (DEM-RN), o deputado Felipe Maia (DEM-RN), além dos parlamentares e ex-parlamentares Cândido Vaccarezza (PT-SP), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Luiz Sérgio (PT-RJ), Edson Santos (PT-RJ), Francisco Dornelles (PP-RJ), Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Ideli Salvatti (PT-SC), Jorge Bittar (PT-RJ), Garibaldi Alves (PMDB-RN), Valter Alves (PMDB-RN) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

Defesa

O presidente interino, Michel Temer, afirmou por meio de nota que "sempre respeitou estritamente os limites legais para buscar recursos para campanhas eleitorais" e que nunca usou recursos ilegais para arrecadação "seja para si, para o partido, e muito menos para outros candidatos".

"É absolutamente inverídica a versão de que teria solicitado recursos ilícitos aos ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado - pessoa com quem apenas tinha relacionamento formal e sem nenhuma proximidade", completa a nota.

Atual secretário municipal de Educação de São Paulo, Chalita disse que, como manifestado anteriormente, não conhece e não tem nenhum contato com Machado. Também afirmou que nunca soube de um eventual pedido que teria sido feito pelo presidente interino.

O advogado de Jucá e de Sarney, Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, disse que os dois negam ter recebido recursos de Machado.

Agripino Maia afirma que as doações recebidas "foram obtidas sem intermediação de terceiros, mediante solicitações feitas diretamente aos dirigentes das empresas doadoras". Ele disse ainda que, como presidente de partido de oposição, não teria nenhuma "contrapartida a oferecer a qualquer empresa que se dispusesse a fazer doação em troca de favores" do governo.

"Machado nunca arrecadou para as minhas campanhas, nunca pedi que ele arrecadasse", disse Vaccareza.

O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) confirma ter recebido doações da Queiroz Galvão, mas afirma que elas foram legais.

O deputado Felipe Maia (DEM-RN) se disse surpreso com a citação de seu nome. "Todas as doações recebidas na minha campanha foram devidamente contabilizadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral", afirmou.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) informou anteriormente ter pedido "ajuda pessoal" a Sérgio Machado, mas negou que existam irregularidades em sua contabilidade eleitoral.

LEIA TAMBÉM

- 'Ele não vai cair sozinho': Medo toma o Planalto após aprovação de cassação de Cunha

- Governo Temer diz defender Lava Jato mas resiste em seguir com medidas anticorrupção

- PMDB teme implosão do governo Temer com a Lava Jato

Também no HuffPost Brasil:

Close
Manifestação contra Michel Temer
de
Post
Tweet
Publicidade
Post isto
fechar
Slide atual

Sugira uma correção