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4 motivos para acreditar que Tite pode dar jeito na Seleção

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TITE CORINTHIANS
Brazil Photo Press/CON via Getty Images
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Tite já chega à Seleção com uma casca de banana pelo caminho. No ano passado, ele chegou a assinar um documento que pedia a renúncia de Marco Polo Del Nero, presidente da CBF.

Mas com o fiasco mais recente, não havia outra opção da entidade que comanda (muitas vezes da forma errada) o futebol brasileiro. Nesta quarta-feira (15), Tite foi confirmado como novo técnico da Seleção Brasileira.

Tite era um nome interessante antes da contratação de Luís Felipe Scolari (e antes do 7 x 1 contra a Alemanha), mas era praticamente a única opção brasileira quando a Copa do Mundo naufragou para nós.

Passados dois anos da Copa do Mundo, o técnico gaúcho que levou o Corinthians a um inédito mundial tornou-se quase uma unanimidade.

A confiança que ganhou dos torcedores - corintianos ou não -, passa por quatro pilares que podem fazer da Seleção brasileira novamente uma equipe.

1. Chefe admirado
neymar brazil
Procure e não vai encontrar um jogador que fale abertamente mal do treinador. Mesmo quando troca jogadores ou tira da equipe medalhões, ninguém chia. Por quê? Um misto de impessoalidade e responsabilidade em colocar em campo que está num melhor momento.

É difícil imaginar um atleta da Seleção que esteja longe de seus melhores dias e siga como titular na equipe de Tite. Inclua aí até mesmo Neymar, a grande estrela.

"Não gosto de deixar no ar, de insinuação. As relações entre pessoas precisam ser leais. Você pode até divergir, porém [prevalece] a lealdade".

2. Futebol é ciência
Estudar é preciso. Felipão ficou conhecido pelo perfil "paizão", aquele que "entende os jogadores". Mas futebol, sobretudo nos dias de hoje, é muito mais ciência que ser "paizão". Como jogam os adversários? Quem entra em campo? O que podem fazer cada um dos jogadores com a bola e sem ela? Dá para discordar dos métodos ou do estilo de jogo, mas que Tite entende e estuda o jogo, jamais.

"Consegui estabelecer contatos diretos com pessoas que eu entendo que têm perfis de liderança de que eu gosto, que foram o Bianchi (ex-técnico do Boca Juniors) e o Ancelotti (ex-técnico do Real Madrid). Os dois são muito parecidos comigo em sua essência e na forma de dirigir as equipes. Fiz reciclagem e mudanças. Tem uma música que diz: ‘Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo’. Às vezes eu erro, mas sempre com a ideia de acertar e melhorar", disse.

3. Trabalho. Muito trabalho
Lembra da humilhação corintiana frente São Paulo no histórico 6x1 no ano passado? Ela foi feita com a maioria dos jogadores considerados reservas. Imagine uma Seleção, onde a qualidade será maior que no Corinthians, onde um jogador saia e outro entre com as mesmas responsabilidades e também sabendo do que precisa fazer. Jogar coletivamente sempre será a saída para qualquer equipe que queira ser campeã.

"A maior satisfação que eu tenho deste trabalho é que aqueles atletas que estão fora preparam-se bem e, na hora em que a oportunidade surge, eles vão lá e marcam território", disse o treinador na campanha vitoriosa do ano passado.


4. Admitir que estamos atrás

tite
Dunga, sempre que necessário, recorria às frases feitas e ao eterno patamar do Brasil como o maior representante do futebol do planeta. Tite discorda disso. Após sua passagem vencedora pelo Corinthians, ele resolveu visitar a Europa e estudar mais. Voltou ao futebol com menor apreço pela defesa e mais vontade de fazer gols. Mas, acima de tudo, admitir que o Brasil já não é o panteão dos craques intocáveis pode fazer com que o Brasil avance.

"Em termos de organização, existe uma margem muito grande para crescimento. Falo em relação a calendário e situações básicas, como tamanho padrão de gramado. Fico até envergonhado de falar isso. Existe margem de crescimento para técnicos, mídia e torcida", contou ao Estadão.

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