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Viviany Beleboni é intimada a esclarecer à polícia 'crucificação' na Parada Gay de 2015

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MULHER TRANS ATRIZ PARADA
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A atriz transexual Viviany Beleboni, 27, foi intimada a prestar esclarecimentos no 78º Distrito Policial de São Paulo sobre o protesto artístico que ela fez contra a LGBTfobia, no qual ela encenou a crucificação de Jesus Cristo, na Parada do Orgulho LGBT de 2015.

Em entrevista ao G1, a advogada de Beleboni, Cristiane Leandro de Novais, disse que a medida é resultado de uma representação movida no ano passado pela Associação das Igrejas Evangélicas de São Paulo (AIESP) junto do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

Na última terça-feira (14), a artista postou no Facebook uma foto da intimação que recebeu.

Ela escreveu: "Aqui no Brasil funciona assim... Você que é LGBT e o ano todo descriminado(a), morto(a), espancado(a), difamado(a) e agredido(a), reage de uma forma artística, gritando socorro, e em menos de um dia fazem uma montagem nojenta para distorcer a [opinião da] população e é indiciada a delegacia por uma bancada evangélica". Veja:

Além de afirmar que vai comparecer para prestar depoimento acompanhada de sua advogada, ela disse:

"Se vocês acham que vão me calar, estão perdendo tempo. Lutarei até o fim por democracia, que não existe nesse país".

De acordo com a AIESP, Beleboni fez uma possível violação ao artigo 208 do Código Penal, que define como crime:

"Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso".

A pena pode ser detenção de um mês a um ano ou multa.

Na mesma entrevista ao G1, entretanto, a atriz e sua advogada batem o pé e afirmam que Beleboni não violou o artigo. Ela disse: "Estamos vivendo em uma teocracia armada por pessoas vazias e que incitam o ódio distorcendo palavra e imagens".

Ela também responsabilizou políticos que disseminam discursos de ódio por terem o "sangue de muitos nas mãos".

O depoimento está marcado para 21 de junho. Se este for o suficiente para o MP-SP, o caso será arquivo; caso contrário, a apuração prosseguirá com novos depoimentos.

Na Parada deste ano, Beleboni fez um novo protesto artístico: desta vez, para denunciar o fundamentalismo religioso e pedir a aprovação da Lei de Identidade de Gênero.

A atriz foi espancada na rua, em 2015, por uma pessoa que disse "ser de Deus". Em recente entrevista à Agência Estado, ela cravou: "Vou falar de religião quantas vezes forem necessárias".

Estamos com você, Viviany!

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