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Ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves pede demissão após ser citado na Lava Jato

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HENRIQUE EDUARDO ALVES
Henrique Eduardo Alves deixa Ministério do Turismo | Ueslei Marcelino / Reuters
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O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, pediu demissão nesta quinta-feira (16) após ser citado pelo ex-presidente de Transpetro Sérgio Machado em acordo de delação premiada.

Com ele, são três ministros que caíram durante pouco mais de um mês de governo Michel Temer em meio a escândalos de corrupção.

Já caíram Romero Jucá, ex-ministro do Planejamento, e Fabiano Silveira, ex-ministro da Transparência.

Próximo de Temer, Henrique Eduardo Alves sofria pressão para sair por conta do acúmulo de citações em investigações.

Na carta de demissão, Alves afirma que "o momento nacional exige atitudes pessoais em prol do bem maior". "Não quero criar constrangimentos ou qualquer dificuldade para o governo, nas suas próprias palavras, de salvação nacional", justificou.

Ele disse estar seguro de que todas denúncias contra ele serão esclarecidas. O peemedebista lembra que está no partido há 46 anos e faz um agradecimento pessoal a Temer.

"Presidente Michel, agradeço à sua lealdade, amizade e compromisso de uma longa vida política e partidária, sabendo que estaremos junts nessa trincheira democrática em busca de uma nação melhor. A sua, a minha, a nossa luta continuam."

Denúncias

Em depoimento à Procuradoria Geral da República (PGR), o ex-presidente da Transpetro afirmou que repassou a Henrique Alves R$ 1,55 milhão em propina entre 2008 e 2014, por meio de doações de empreiteiras.

Teriam sido pagos R$ 500 mil em 2014; R$ 250 mil, em 2012; e R$ 300 mil em 2008 pela Queiroz Galvão. Outros R$ 500 mil foram pagos em 2010 a Alves, pela Galvão Engenharia.

No início deste mês, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou ao Supremo Tribunal Federal que o peemedebista havia atuado para obter recursos desviados da Petrobras em troca de favores para a empreiteira OAS.

Segundo Janot, o dinheiro teria abastecido a campanha de Alves ao governo do Rio Grande do Norte em 2014, quando ele acabou derrotado. A negociação envolveria o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro. As informações constam no pedido de abertura de inquérito enviado ao tribunal.

Alves foi ministro do Turismo no governo da presidente afastada Dilma Rousseff até março, antes de o PMDB romper formalmente com a petista.

Repercussão

Na avaliação do líder do DEM no Senado, senador Ronaldo Caiado (GO), a saída do ministro foi acertada e não fragiliza o governo Temer nem as investigações da Lava Jato. "O pedido de demissão foi oportuno para que não venha amanhã causar nehum outro desvio de discussão em relação a esse assunto", afirmou.

Ele comparou a forma de atuação do governo Temer com o da presidente Dilma, em que ministros investigados na Lava Jato mantiveram os postos.

"O modelo implantado pelo atual governo é diferente do anterior. Qualquer suspeita ou denúncia, mesmo que não tenha amanhã a culpabilidade do que foi dito, ele tem que ter a responsabilidade e o gesto maior de não confundir problemas de ordem pessoal com problemas de governo."

Para a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), a queda de Alves mostra que Temer não tem condições de continuar à frente do País, uma vez que seu nome também foi citado na Lava Jato.

"A saída dele é um indicativo de que a crise deverá se avolumar nos próximos dias e chega direto à figura do presidente interino. Ele próprio perde as condições completamente de continuar à frente do governo brasileiro."

Ela disse que o País vive um momeno "trágico" e defendeu a realização de novas eleições.

A senadora destacou que Dilma não esteve envolvida diretamente no escândalo da Petrobras. "Tanto não há envolvimento que nós estamos aqui, envolvidos num processo que eles mesmo dizem que é apenas pró-forma porque é um mecanismo que encontraram para tirar uma presidente, alegando que ela teria cometido crime de responsabilidade porque desrespeitou a lei orçamentária", completou.

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