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Debate sobre cotas raciais na USP? A resposta do governo Alckmin foi Tropa de Choque, bombas e bala de boracha

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Um grupo de estudantes e representantes de movimentos negro e indígena tentaram ocupar o prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) na noite desta quinta-feira (16), num ato contra a Contra a adoção de cotas raciais e sociais pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que diminuiria a efetividade do projeto, segundo os estudantes.

A manifestação acabou reprimida com violência pela Polícia Militar, que dispersou os manifestantes com bombas de efeito moral e cinco estudantes foram detidos.

O vídeo abaixo mostra a ação da PM.

Os alunos ocuparam na tarde desta quinta-feira (16) reunião do Conselho de Graduação que iria analisar e referendar a decisão dos departamentos de usar o sistema, que utiliza a nota do Enem e reserva uma parte das vagas para candidatos de escola pública e autodeclarados pretos, pardos e indígenas.

De acordo com a Reitoria, os alunos entraram no prédio e interromperam a reunião, que foi finalizada sem nenhuma deliberação. Segundo os estudantes, a Polícia Militar comunitária usou spray de pimenta para retirar os manifestantes do prédio.

Os estudantes permaneceram nos fundos do prédio da Reitoria, onde fizeram uma assembleia para discutir os rumos do movimento. Cerca de 20 policiais militares da Força Tática formaram um cordão de isolamento no local.

O DCE da USP condenou a ação policial e deu suporte aos estudantes:

Marina Nunes Dias, de 20 anos, estudante de Filosofia e integrante do movimento Quilombo Raça e Classe, disse que os alunos interromperam a reunião para demonstrar insatisfação com a decisão da USP de apenas adotar cotas nas vagas reservadas via Sisu.

“A gente reivindica que as cotas raciais sejam proporcionais à população negra e indígena do Estado, que é de 30%. Se só colocam cotas nas vagas do Sisu, a USP aumenta ainda mais a elitização na universidade”, disse.

Novas cotas
A adoção do Enem como forma de seleção, em conjunto com o vestibular da Fuvest, começou na USP no ano passado, como aposta para aumentar a inclusão de alunos de escola pública - a meta é de 50% até 2018. No entanto, a medida afastou ainda mais a USP de alcançar sua meta, já que o índice de inclusão caiu de 35,1%, em 2014, para 34,6% no ano passado.

A Escola de Comunicação e Artes (ECA) também vai adotar o Sisu para selecionar estudantes para a maioria dos cursos de graduação. Para o próximo vestibular, todos os cursos de Comunicação - Educomunicação, Biblioteconomia, Jornalismo, Editoração, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Turismo - vão separar 81 vagas pelo sistema. Dessas, 34 serão reservadas para candidatos pretos, pardos e indígenas (PPI).

A adoção de cotas sociais e raciais na instituição é pauta antiga do movimento estudantil e já ocorre nas universidades federais desde 2012. No mês passado, alunos ocuparam diversas unidades, incluindo a ECA, reivindicando a adoção da medida e mais políticas de permanência estudantil.

Outros cursos
A adoção de cotas pelo Sisu também está sendo discutida no Departamento de Matemática, do Instituto de Matemática e Estatística (IME). A intenção é reservar uma parcela das 180 vagas dos cursos de bacharelado e licenciatura para o Sisu. E, dentro dessas, haveria ainda um porcentual de vagas para alunos de escolas públicas e pretos, pardos e negros.

Na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), o Sisu já havia sido adotado como forma de ingresso no ano passado. Para este ano, a Congregação da faculdade estuda aumentar a reserva das vagas para candidatos de escola pública e os autodeclarados PPI.

A Esalq, de Piracicaba, que no ano passado já havia reservado parte das vagas para o Sisu, também decidiu ampliar o uso do sistema para o próximo ano. Em 2015, a Esalq reservou para o Sisu 56 vagas de três cursos - mas nenhuma delas foi preenchida, em função da nota de corte muito alta. Para o próximo ano, serão 84 vagas de 6 cursos, sendo 25 para alunos de escola pública e PPI.

Com informações Estadão Conteúdo

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