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O massacre de Orlando é um lembrete doloroso dos perigos que a população LGBT enfrenta todos os dias

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Uma noite de festa e diversão no mês do Orgulho Gaya noite latina no clube Pulse, com foco em música, performances e danças latinas -- transformou-se em uma manhã de morte em massa e devastação.

Mas a realidade brutal que abalou a comunidade LGBT de Orlando, e o país inteiro, é algo que as pessoas LGBT conhecem há muito tempo. Bares e clubes voltados para gays e lésbicas têm sido alvo frequente daqueles que abrigam ódio pelas pessoas LGBT.

E é um lembrete da hostilidade que ainda existe contra as pessoas LGBT e do perigo sempre presente com o qual temos de conviver.

Houve dezenas de ataques a espaços LGBT, alguns dos quais receberam mais atenção do que outros. Eric Rudolph, também conhecido como o autor do atentado no Centennial Olympic Park na Olimpíada de Atlanta, em 1996, também atacou bares de lésbicas, além de clínicas de aborto.

Em 1997, ele alvejou o Otherside Lounge, um bar de lésbicas em Atlanta, com duas bombas, uma das quais explodiu e deixou cinco pessoas feridas. (A segunda bomba, encontrada no estacionamento, foi detonada pela polícia.) Rudolph, associado ao grupo extremista Army of God (exército de Deus), mais tarde declarou-se culpado e disse que seu alvo era a homossexualidade.

Em 2014, Musab Masmari foi condenado a 10 anos de prisão por atear fogo a uma boate gay de Seattle na véspera do ano novo, em 2013.

Segundo a procuradoria, Masmari teria contado a um amigo que tinha “’colocado fogo em um clube gay’ e que fizera isso porque ‘o que essas pessoas estão fazendo é errado’”.

Outra pessoa próxima de Masmari supostamente disse que ele guardava uma “hostilidade generalizada em relação à homossexualidade”. No fim do ano passado, houve uma série de ataques não-esclarecidos contra homens saindo de bares gays em Dallas.

Um homem foi arrastado para uma van, espancado com um taco de beisebol enquanto era chamado de “bicha” e deixados a poucos quarteirões de distância. Na mesma época, três bares gays em Dallas foram vandalizados.

Horas depois do atentado de Orlando, noticiou-se que a polícia de Santa Monica encontrou armas e produtos químicos no carro de James Wesley Howell, um homem de Indiana que afirmou estar indo para a Parada do Orgulho Gay de Los Angeles. Aparentemente não havia relação com o tiroteio de Orlando, e os detalhes ainda estavam sendo divulgados.

O ódio contra pessoas LGBT é claramente algo que enfrentamos há décadas e, mesmo nestes tempos de grandes vitórias, vemos uma reação feroz, motivada por intolerância.

Muitos de nós achamos que nossas liberdades estão garantidas, e certamente não pensamos duas vezes antes de sair para dançar e nos divertir – talvez evitemos pensar nos perigos que a comunidade LGBT ainda enfrenta.

Os meios de comunicação americanos, também, parecem complacentes; inicialmente, veículos como o The New York Times e a CNN não relatavam o fato de que o Pulse é um clube gay, ou então minimizavam esse fato – que é relevante, especialmente porque está cada vez mais claro que se trata de um ataque terrorista ou crime de ódio.

Os crimes de ódio contra as pessoas LGBT não se dissiparam com a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo – na verdade, eles têm aumentado nos últimos anos.

O que soubemos do pai do atirador de Orlando, Omar Mateen, é que ele sentiu repulsa – ficou “muito irritado” -- ao ver dois homens se beijando em Miami. Quaisquer que sejam suas outras crenças ou lealdades, essa fundação homofóbica é parte do que o levou a cometer o crime brutal.

Esta tragédia terrível é um lembrete das ameaças diárias de violência contra a população LGBT, e por isso sempre devemos permanecer vigilantes.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.


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Massacre à Orlando - 12 juin 2016
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