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Por que você também sente a dor do massacre em Orlando

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Nós vamos continuar de luto pelo pior ataque a tiros da história dos Estados Unidos e suas consequências. Esse processo envolve muita dor – para os moradores de Orlando e de todo o país.

Para muitos de nós, o que aconteceu é profundamente pessoal. Orlando foi meu lar durante meus anos de faculdade. Fiz amigos para a vida toda na cidade que foi palco do ataque de domingo.

Outros apontaram como os clubes gays, como o Pulse, servem de refúgio para que mora em comunidades inóspitas.

Alguns descreveram experiências com a violência de armas de fogos e a dificuldade de lidar com as consequências.

Mas você não precisa ter uma ligação pessoal com a tragédia para ficar abalado. Na verdade, suas emoções são fundamentalmente humanas: dor como resultado de uma tragédia, mesmo que você não esteja envolvido, é uma resposta psicológica incontrolável.

É difícil encontrar sentido em algo tão irracional. Quando não é possível, sua psique tenta fazê-lo por você. Isso acontece por meio das informações sobre o ocorrido e, depois, da expressão da tristeza de maneira catártica.

Pesquisas mostram que acompanhar notícias de tragédias pode ter enorme impacto na saúde mental. Mas, de certa forma, você não tem como evitar.

Estudos sugerem que a mente tem um viés negativo natural, o que o obriga a prestar mais atenção às tragédias do que às notícias edificantes.

“No coração disso está um processo chamado trauma vicariante, que é o que acontece quando você vê alguém passar por uma experiência como essa no noticiário” afirma David Kaplan, diretor profissional da American Counseling Association, em entrevista ao Huffington Post.

“É angustiante assistir a este tipo de sofrimento, porque você não tem nenhum controle sobre ele.”

A conexão humana também tem seu papel, diz Kaplan. Não só as pessoas têm uma compreensão biológica e inerente do sofrimento, mas essa ligação é mais profunda quanto mais elas reconhecem partes de si mesmas nas vítimas.

Por exemplo, é provável que o atentado ecoe particularmente com quem se identifica com a comunidade LGBT.

“Se você tem empatia pela pessoa que foi atacada, vai sentir, porque também é parte de você”, explicou Kaplan. “E isso é perfeitamente normal e perfeitamente compreensível.”

Além disso, Kaplan diz que você não precisa viver perto de Orlando para se sentir perto do que aconteceu. Os efeitos são os mesmo ainda que você esteja a milhares de quilômetros.

“Pesquisas mostram que é estressante ver as pessoas passando por algo assim”, disse Kaplan. “Você pode se sentir traumatizado mesmo que esteja muito longe ou more em outro lugar.”

Se você estiver se sentindo particularmente abalado pela tragédia de domingo, os especialistas recomendam procurar amigos e familiares e eventualmente um profissional de saúde mental.

No fim das contas, a dor que você pode estar enfrentando é real – assim como a resiliência que virá depois.

“As pessoas são incrivelmente fortes e resistentes”, disse Kaplan. “Os seres humanos podem e vão se recuperar dos traumas.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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Massacre à Orlando - 12 juin 2016
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