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Alunos da UnB são alvo de ataques homofóbicos em protesto da extrema-direita na universidade

Publicado: Atualizado:
PROTESTO DIREITA UNB
Reprodução/Mídia Ninja
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A Polícia Civil do Distrito Federal vai investigar as ofensas, algumas delas de caráter homofóbico, feitas contra alunos da Universidade de Brasília por um grupo que se dizia contrário à paralização da universidade e da política de cotas.

O caso ocorreu na noite desta sexta-feira (17), no campus da UnB no Plano Piloto, durante uma manifestação da extrema-direita. As informações são do G1.

Segundo o Metrópole, um pequeno grupo se concentrou no Instituto Central de Ciências (ICC), onde atacou estudantes com discursos de teor homofóbico e racista.

Os universitários ainda foram acusados de serem “vagabundos” e de “gastarem dinheiro público”. Bombas chegaram a ser estouradas no campus.

Um vídeo foi divulgado pela Mídia Ninja. Em determinado momento uma das manifestantes afirma a um aluno: "Eu sou empresária, pago imposto carissímo pra manter esse parasita. Gay, safado, parasita".

O prefeito do câmpus, professor Marco Aurélio de Oliveira, disse ao Correio Brasiliense que recebeu relatos de que, durante o protesto, alunos que passavam perto dos manifestantes eram agredidos verbalmente, principalmente com frases racistas.

“Sabemos que a ação foi muita rápida. As informações ainda são muito desencontradas. Na segunda-feira (20/6), vamos intensificar a busca de depoimentos de alunos e funcionários que estavam de plantão”.

De acordo com o vídeo da Mídia Ninja e o site Metrópole, os manifestantes estavam com bandeiras do Brasil e entoavam cantos de apoio ao deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato.

O movimento estudantil Reação Universitária emitiu uma nota de repúdio às agressões em seu Facebook. No texto, eles reprovam a manifestação e a caracterizam como “intolerável de abuso e truculência, que vem se somar ao recente histórico de agressões a que assistiu a universidade nos últimos dias”. Leia a nota completa:


O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB também divulgou uma nota de repúdio ao ato:

“Não podemos aceitar atitudes como essa em nossa universidade, que são uma agressão a toda a comunidade da UnB. Acreditamos que a universidade é um espaço simbólico de debate e reflexão e, em razão disso, é importante que seja palco de manifestações políticas. No entanto, o respeito à pluralidade de ideias deve estar em seu fundamento.”

Segundo o G1, a Divisão de Comunicação da Polícia Civil (Divicom) informou que uma ocorrência foi registrada sobre o caso por dois estudantes, de 19 e 21 anos, que relataram que estavam saindo da UnB quando foram abordados por manifestantes que proferiram xingamentos e discursos ofensivos contra eles.

Ainda de acordo com a Divicom, as vítimas também disseram que os manifestantes ameaçaram agredi-los, e que os jovens chegaram a ser seguidos por um motociclista, que atacou o veículo em que estavam com um objeto desconhecido.

O que está acontecendo na UnB?

A manifestação da última sexta-feira (17) ocorreu dez dias após a realização de uma assembleia da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), em que foi sugerida a apresentação de uma proposta para que o segundo semestre de aulas não seja iniciado até que Dilma Rousseff volte ao comando do País.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE/UnB) convocou os alunos para uma pesquisa sobre a possibilidade de greve estudantil na instituição. No entanto, a maioria dos estudantes votou contra a proposta.

Segundo o blogueiro Luiz Guilherme Medeiros, do HuffPost Brasil, houve uma manifestação no dia 7 de junho organizada por grupos estudantis como Movimento Reação Universitária, o UnB Sem Partido e o Distrito Liberal contra a paralização da UnB que também terminou com agressões. Um aluno que defendia a monarquia foi agredido durante a manifestação.

ATUALIZAÇÃO:

Na noite deste sábado (18), o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) manifestou preocupação com o ataque de ativistas de extrema direita a estudantes da Universidade de Brasília (UnB).

Em entrevista ao Metrópoles, o reitor da UnB, Ivan Camargo, disse que a "universidade vai manter uma posição muito firme contra manifestações violentas”.

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