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Vítima de depressão, morador de rua morre de frio na Avenida Paulista

Publicado: Atualizado:
ADILSON JUSTINO
Arquivo Pessoal/Veja São Paulo
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Havia apenas duas semanas que o homem encontrado na Paulista morava nas ruas. Na juventude, Adilson Justino era “o palhaço da família”, na definição de uma prima.

Arrancava gargalhadas com imitações de Cauby Peixoto e Madonna e fazia sucesso com sua especialidade culinária: panquecas commel.

A notícia de que amanheceu morto na madrugada gelada de domingo (12) em plena Paulista, aos 53 anos, chocou quem conhecia o paulistano da Vila Formosa.

Ele foi encontrado por volta das 4 horas, na altura do número 500 da avenida. O padre Júlio Lancellotti foi até lá depois de receber o telefonema de uma testemunha.

A vítima estava com os documentos no bolso. No Instituto Médico-Legal, ficou constatada a morte por infarto, provavelmente causada pelo frio.

“O rapaz me disse que não tinha onde ficar”, relata a artesã Iracema de Paula, que vende produtos de crochê na calçada onde ele estendia o colchão. “Se soubesse que precisava de coberta, teria dado uma.”

Ex-vendedor da extinta Casa Bevilacqua e operador de telemarketing, Adilson nunca se casou e não tinha filhos. No início dos anos 2000, tentou a vida no Rio de Janeiro, de onde retornou há nove anos para viver com um tio em Guarulhos.

Nesse meio tempo, apresentou sinais de depressão e síndrome do pânico, nunca tratados. Acabou desempregado e, após brigas, afastou-se dos pais e dos dois irmãos.

Na véspera do último Natal, na casa de familiares, chamou atenção pela aparência franzina, com rosto pálido e dificuldade de locomoção.

Há quinze dias, brigou com o tio e saiu de casa. “Achamos que ele tivesse voltado para o Rio. Ele morreu do jeito que sempre foi: solitário”, lamenta o primo Antonio de Araújo, que soube da tragédia pela TV.

Ao enterro, no Cemitério da Vila Formosa, compareceram cinco pessoas. Não estavam os pais nem o irmão — apenas a irmã, três primos e uma ex-cunhada.

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