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Após ser flagrada utilizando trabalho escravo e infantil, grife Brooksfield Donna some da internet

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BROOKSFIELD
Páginas da gripe na internet estão fora do ar | Montagem/Divulgação
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A Brooksfield Donna, marca de luxo flagrada pelo Ministério do Trabalho com trabalho escravo e infantil, simplesmente desapareceu da internet. E não só a grife feminina sumiu, como também a masculina Brooksfield e o grupo detentor de ambas, Via Veneto.

Nesta segunda-feira (20), a ONG Repórter Brasil e a BBC divulgaram uma auditoria realizada pelo Ministério do Trabalho e Previdência que revelou a utilização de mão de obra infantil e escrava em uma das fábricas da Brooksfield Donna, localizada na Zona Leste de São Paulo.

Fiscais encontraram no local três menores de idade trabalhando com máquinas de costura, equipamento terminantemente proibido para menores de 18 anos pelo risco de acidentes. Segundo o Ministério, trabalhar com objetos perfurantes "está entre as piores formas de trabalho infantil."

Na casa onde funciona a fábrica ainda foram encontrados cinco bolivianos que costuravam 12 horas por dia, sete dias por semana e moravam no local do trabalho.

O documento do ministério ainda diz que a empresa se recusava a pagar os direitos trabalhistas dos funcionários, valor que totalizava R$ 17.800. Na loja, um vestido de seda, cujo tecido foi encontrado na fábrica, custa em média R$ 900.

Bastou a bomba virar assunto na internet que intencionalmente misteriosamente a Brooksfield Donna sumiu da internet. Até a publicação desta matéria, o seu site permanecia fora do ar.

brooksfield

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O perfil oficial da grife no Facebook também está desativado, assim como o perfil no Instagram.

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E o site da Brooksfield e do grupo Via Veneto? Ninguém sabe, ninguém viu...

brooksfield

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O HuffPost Brasil ligou para uma das lojas da Brooksfield Donna, mas a gerente da unidade não soube informar por que o site estava fora do ar. Não conseguimos entrar em contato com as marcas e o grupo.

Em nota enviada à ONG Repórter Brasil, o grupo Via Veneto afirmou que não terceiriza a prestação de serviços e seus fornecedores "são empresas certificadas" e disse que não "mantém relações com trabalhadores eventualmente enquadrados em situação análoga a de escravos pela fiscalização do trabalho e que sempre esteve à disposição dos órgãos públicos para prestar todos os esclarecimentos necessários à correta apuração dos fatos".

ATUALIZAÇÃO

Os sites voltaram a funcionar na noite da segunda-feira (20). A assessoria de imprensa procurou o HuffPost Brasil para enviar uma nota de esclarecimento sobre o caso.

No comunicado, a Brooksfield Donna diz que desde 12 de maio, quando a empresa foi foi informada sobre a fiscalização, "esteve desde o início à disposição do Ministério do Trabalho e Emprego e repudia o não cumprimento de normas trabalhistas em qualquer fase da cadeia de produção."

A nota ainda diz que o contrato firmado entre a marca e a fábrica proibia qualquer tipo de subcontratação da produção e diz que já cancelou todos os pedidos para a MDS Confecções.

"Todos os fornecedores da companhia assinam contrato em que se comprometem a cumprir a legislação trabalhista vigente. A Brooksfield Donna tem uma história de ética e correção e manifesta seu repúdio a qualquer tipo de transgressão às leis trabalhistas brasileiras e ao descumprimento, por parte de fornecedores, de regras estipuladas em contrato."

(Com informações da Estadão Conteúdo)

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